{"id":1167,"date":"2019-12-06T16:04:51","date_gmt":"2019-12-06T16:04:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/?p=1167"},"modified":"2019-12-06T16:04:51","modified_gmt":"2019-12-06T16:04:51","slug":"os-nove-de-paraisopolis-o-terror-policial-e-a-sociedade-anestesiada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/?p=1167","title":{"rendered":"Os nove de Parais\u00f3polis: o terror policial e a sociedade anestesiada"},"content":{"rendered":"<p>O site do INCT INEAC reproduz aqui o artigo &#8220;Os nove de Parais\u00f3polis: o terror policial e a sociedade anestesiada&#8221; do soci\u00f3logo\u00a0<strong>Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo,<\/strong><em>\u00a0professor da Escola de Direito da PUCRS, membro do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica e do INCT-InEAC, publicado no GAUCHAZH &#8211;\u00a0<a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/seguranca\/noticia\/2019\/12\/os-nove-de-paraisopolis-o-terror-policial-e-a-sociedade-anestesiada-ck3t2kqtu02zc01rzkr8xp5t3.html\">https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/seguranca\/noticia\/2019\/12\/os-nove-de-paraisopolis-o-terror-policial-e-a-sociedade-anestesiada-ck3t2kqtu02zc01rzkr8xp5t3.html<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Os nove de Parais\u00f3polis: o terror policial e a sociedade anestesiada<\/strong><\/span><\/p>\n<h2 class=\"m-supportline\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Suas vidas j\u00e1 foram perdidas, mas \u00e9 preciso tirar li\u00e7\u00f5es da trag\u00e9dia do \u00faltimo fim de semana, defende professor e especialista em Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/span><\/h2>\n<div class=\"m-timestamps\">\n<div class=\"wrapper\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div class=\"wrapper\">\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo<br \/><\/strong><em>Soci\u00f3logo, professor da Escola de Direito da PUCRS, membro do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica e do INCT-InEAC<\/em><\/span><\/p>\n<div id=\"slot-intext\" class=\"ad-banner ad-banner-tag-visible ad-banner-tag-collapse\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>\u201cUma vida sem pensamento \u00e9 totalmente poss\u00edvel, mas ela fracassa em fazer desabrochar sua pr\u00f3pria ess\u00eancia \u2013 ela n\u00e3o \u00e9 apenas sem sentido; ela n\u00e3o \u00e9 totalmente viva. Homens que n\u00e3o pensam s\u00e3o como son\u00e2mbulos.\u201d<br \/><\/em><strong>Hannah Arendt<\/strong>, em\u00a0<em>Eichmann em Jerusal\u00e9m<\/em><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Em sociedades em condi\u00e7\u00f5es normais de conviv\u00eancia democr\u00e1tica, o ingresso de policiais militares em uma aglomera\u00e7\u00e3o de pessoas, com o emprego de viol\u00eancia e de atos de abuso de poder, por si s\u00f3 seria motivo de grande como\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Se da a\u00e7\u00e3o resultasse a morte de nove jovens, cujos atos se limitavam \u00e0 busca de um momento de lazer e divers\u00e3o em um duro cotidiano de priva\u00e7\u00f5es, seria motivo para convuls\u00e3o social e uma r\u00e1pida resposta das autoridades. No Brasil de 2019, o\u00a0<a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/geral\/noticia\/2019\/12\/nove-pessoas-morrem-pisoteadas-em-baile-funk-na-zona-sul-de-sao-paulo-ck3n9gvq200ae01ms69t4zm7c.html\"><strong>terror em Parais\u00f3polis<\/strong><\/a>\u00a0produziu artigos como este e mat\u00e9rias na TV. E s\u00f3.\u00a0<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\">\n<aside class=\"m-read-more leak-left\">\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">A sociedade brasileira, anestesiada pelo medo do crime, real ou fict\u00edcio, e pela falta de pol\u00edticas racionais e efetivas de seguran\u00e7a p\u00fablica, foi dominada pelo discurso f\u00e1cil que prop\u00f5e a liberdade de a\u00e7\u00e3o para policiais (excludente de ilicitude) como forma de combater o crime.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00c9 falsa a ideia de que uma pol\u00edcia violenta e sem controle \u00e9 eficaz. Ao contr\u00e1rio, as experi\u00eancias mundiais bem-sucedidas na redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia t\u00eam invariavelmente partido de um maior controle e profissionaliza\u00e7\u00e3o da atividade policial, base a partir da qual se constroem rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a entre a pol\u00edcia e a sociedade.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Lamentavelmente, as dificuldades para a realiza\u00e7\u00e3o de reformas estruturais na\u00a0<a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/seguranca\/ultimas-noticias\/\"><strong>Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/strong><\/a>, fruto tanto de barreiras corporativas quanto de dificuldades ideol\u00f3gicas de compreens\u00e3o do papel da pol\u00edcia em democracia, fizeram com que o tema do controle da atividade policial tenha sido relegado a um segundo plano, em um momento em que as mortes praticadas pela pol\u00edcia em diversos Estados brasileiros t\u00eam aumentado exponencialmente.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Tamb\u00e9m n\u00e3o se sustenta a ideia de que vivemos em um estado de exce\u00e7\u00e3o, no qual todos os policiais atuam ilegalmente. H\u00e1 pol\u00edcias militares em diversos Estados brasileiros que t\u00eam se preocupado em qualificar suas a\u00e7\u00f5es, elaborando protocolos de uso da for\u00e7a que passam a ser exigidos dos policiais para garantir a regularidade das interven\u00e7\u00f5es em diferentes contextos. A licen\u00e7a para atuar sem controle e sem responsabiliza\u00e7\u00e3o pelos abusos tem caracterizado a a\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias em Estados cujos governadores eleitos se utilizam do discurso populista do combate ao crime para legitimar a a\u00e7\u00e3o ilegal e ileg\u00edtima das policias para angariar apoio popular. Invariavelmente as v\u00edtimas dessas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o pobres, geralmente negros e moradores de periferia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"slot-intext\" class=\"ad-banner ad-banner-fixed-not-repeat ad-banner-tag-visible ad-banner-tag-collapse\">\n<div id=\"slot-intext_place\" class=\"ad-banner-tag-slot-intext_place\" data-google-query-id=\"CIqxiJ6zoeYCFcFmwQod1awK9w\" data-cid=\"138259033438\" data-lin=\"4942899334\">\n<div class=\"article-content sa_incontent\">\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p>A democracia n\u00e3o \u00e9 apenas o regime pol\u00edtico em que governantes s\u00e3o eleitos. S\u00f3 pode ser chamada democr\u00e1tica a sociedade na qual o uso da for\u00e7a pelo Estado \u00e9 regrado e controlado. N\u00e3o h\u00e1 como negar que vivemos em um pa\u00eds marcado historicamente por uma cultura autorit\u00e1ria, que aceita e legitima a viol\u00eancia estatal contra grupos sociais vistos como amea\u00e7adores e violentos. Desde a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, os per\u00edodos de regime autorit\u00e1rio, como o Estado Novo e a\u00a0<a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/ultimas-noticias\/tag\/ditadura-militar\/\"><strong>ditadura militar<\/strong><\/a>, apenas refor\u00e7aram e direcionaram a a\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria e violenta das pol\u00edcias para finalidades pol\u00edticas, mas pouco impactaram sobre a cultura institucional tradicionalmente voltada muito mais para a garantia da ordem p\u00fablica do que para a garantia de direitos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p>Desde a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, \u00e9 ineg\u00e1vel que avan\u00e7amos institucionalmente na promo\u00e7\u00e3o de uma cultura democr\u00e1tica de atua\u00e7\u00e3o e funcionamento das institui\u00e7\u00f5es policiais. Os processos de forma\u00e7\u00e3o policial foram aperfei\u00e7oados, os mecanismos de controle, discutidos e suas falhas, apontadas. Novos padr\u00f5es de atua\u00e7\u00e3o policial foram delineados e passaram a orientar os processos de incorpora\u00e7\u00e3o de novos policiais civis e militares.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p>Mas tamb\u00e9m n\u00e3o se pode negar que os avan\u00e7os foram pequenos. As pol\u00edcias seguiram pautadas por um modelo reativo, os curr\u00edculos oficiais continuaram competindo com um fazer policial aprendido na socializa\u00e7\u00e3o entre pares, reproduzindo padr\u00f5es de atua\u00e7\u00e3o marcados pelo tratamento desigual e arbitr\u00e1rio.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"article-paragraph\">\n<p>O mais grave, no entanto, \u00e9 a dissemina\u00e7\u00e3o de uma narrativa pautada pela irracionalidade, segundo a qual a culpa pela viol\u00eancia \u00e9 dos chamados \u201cespecialistas\u201d e defensores dos\u00a0<a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/ultimas-noticias\/tag\/direitos-humanos\/\"><strong>direitos humanos<\/strong><\/a>. Se de um lado \u00e9 certo que n\u00e3o h\u00e1 democracia e garantia de direitos sem uma pol\u00edcia preparada, por outro \u00e9 ineg\u00e1vel que dar ao Estado carta branca para atuar nos conduz ao ambiente pr\u00e9-moderno dos Estados Absolutistas, onde n\u00e3o se distingue a for\u00e7a p\u00fablica de uma mil\u00edcia a servi\u00e7o dos donos do poder. Para enfrentar esse dilema, \u00e9 preciso voltar a pensar. Que as vidas perdidas dos nove de Parais\u00f3polis possam cumprir esse papel, seria uma justa homenagem.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1166\" src=\"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/0000000000125442163.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"466\" srcset=\"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/0000000000125442163.jpg 700w, http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/0000000000125442163-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2 class=\"m-supportline\">\u00a0<\/h2>\n<div class=\"m-timestamps\">\u00a0<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O site do INCT INEAC reproduz aqui o artigo &#8220;Os nove de Parais\u00f3polis: o terror policial e a sociedade anestesiada&#8221; do soci\u00f3logo\u00a0Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo,\u00a0professor da Escola de Direito da PUCRS, membro do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica e do INCT-InEAC, publicado no GAUCHAZH &#8211;\u00a0https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/seguranca\/noticia\/2019\/12\/os-nove-de-paraisopolis-o-terror-policial-e-a-sociedade-anestesiada-ck3t2kqtu02zc01rzkr8xp5t3.html. \u00a0 Os nove de Parais\u00f3polis: o terror policial e a&hellip; <a class=\"more-link\" href=\"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/?p=1167\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">Os nove de Parais\u00f3polis: o terror policial e a sociedade anestesiada<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1166,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1167","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized","entry"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1167","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1167"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1167\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1166"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1167"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1167"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1167"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}