{"id":1761,"date":"2022-02-09T14:11:53","date_gmt":"2022-02-09T14:11:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/?p=1761"},"modified":"2022-02-09T14:11:53","modified_gmt":"2022-02-09T14:11:53","slug":"a-justica-brasileira-sob-medida-a-pandemia-no-brasil-entre-direitos-e-privilegios","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/?p=1761","title":{"rendered":"A justi\u00e7a brasileira sob medida : A pandemia no Brasil entre direitos e privil\u00e9gios"},"content":{"rendered":"<p>Disponibilizamos no nosso site o artigo &#8220;<span class=\"text\"><strong>A justi\u00e7a brasileira sob medida\u00a0: A pandemia no Brasil entre direitos e privil\u00e9gios<\/strong>&#8220;, escrito por\u00a0B\u00e1rbara Gomes Lupetti\u00a0<span class=\"familyName\">Baptista<\/span>, Fernanda\u00a0<span class=\"familyName\">Duarte<\/span>, Michel Lobo Toledo\u00a0<span class=\"familyName\">Lima<\/span>, Rafael Mario Iorio\u00a0<span class=\"familyName\">Filho<\/span>\u00a0e Roberto Kant de\u00a0<span class=\"familyName\">Lima, todos pesquisadores vinculados ao INCT\/INEAC; e publicado no FORUM SOCIOL\u00d3GICO &#8211;\u00a0 https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952<\/span><\/span><\/p>\n<p><span class=\"text\"><span class=\"familyName\">O artigo est\u00e1 abaixo dispon\u00edvel para leitura, mas pode ter imprecis\u00f5es de formata\u00e7\u00e3o pelas especificidades do site. Se desejar ler o artigo na sua formata\u00e7\u00e3o original fa\u00e7a mais abaixo o download do PDF em anexo .<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A justi\u00e7a brasileira sob medida : A pandemia no Brasil entre direitos e privil\u00e9gios<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Partindo da afirma\u00e7\u00e3o de que a sociedade brasileira se estrutura de forma hierarquizada, reproduzindo um\u00a0<em>ethos<\/em>\u00a0aristocr\u00e1tico em contraposi\u00e7\u00e3o a uma ordem republicana, podemos reconhecer que, no plano jur\u00eddico, a desigualdade se opera em dois n\u00edveis\u00a0: no aspecto normativo \u2013 por meio da elabora\u00e7\u00e3o das leis \u2013 e na administra\u00e7\u00e3o dos conflitos, quando da aplica\u00e7\u00e3o das leis, especialmente pelo Judici\u00e1rio. Nesse texto pretendemos problematizar o modo como as institui\u00e7\u00f5es judici\u00e1rias no Brasil internalizam e (re)produzem desigualdades jur\u00eddicas \u2013 o que se tornou mais evidente com a pandemia da Covid-19 e suas consequ\u00eancias para a esfera de direitos dos brasileiros. Para tanto, pretendemos descrever tr\u00eas categorias de casos (os casos de aux\u00edlio-sa\u00fade\u00a0; casos de \u201cfura-fila\u201d da vacina\u00e7\u00e3o contra a Covid-19\u00a0; e os casos de pedidos de liberdade de r\u00e9us presos em raz\u00e3o da pandemia da Covid-19), que ajudam a revelar essa chave da desigualdade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h1 class=\"texte\"><a id=\"tocto1n1\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#tocfrom1n1\">1. Introdu\u00e7\u00e3o\u00a0: A desigualdade jur\u00eddica e a pandemia da Covid-19<\/a><\/h1>\n<div class=\"textandnotes\">\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">1 &#8211;\u00a0<\/span>Ao longo da pandemia da covid-19, houve um discurso, classificado como de senso comum, que comp\u00f4s in\u00fameros escritos e not\u00edcias jornal\u00edsticas no come\u00e7o da sua dissemina\u00e7\u00e3o, no sentido de que a doen\u00e7a causada pelo referido v\u00edrus seria \u201cdemocr\u00e1tica\u201d<a id=\"bodyftn1\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn1\">1<\/a>, uma vez que este n\u00e3o distinguia as v\u00edtimas quanto \u00e0 cor, ao status<em>\u00a0<\/em>ou \u00e0 classe social, \u00e0 escolaridade, \u00e0 localidade, entre outras caracter\u00edsticas. Por\u00e9m, h\u00e1 pelo menos duas quest\u00f5es que pesquisadores de diversas \u00e1reas t\u00eam apontado, no sentido do tensionamento dessa afirma\u00e7\u00e3o\u00a0: a primeira \u00e9 que, embora o v\u00edrus n\u00e3o seja seletivo em rela\u00e7\u00e3o a quem atingir\u00e1, suas formas de transmiss\u00e3o, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0s de preven\u00e7\u00e3o, assim como o risco de adoecimento e de morte, s\u00e3o potencializados em certos grupos sociais e em certas localidades (Fiocruz, 2020\u00a0; G. Silva, 2021)\u00a0; a segunda se d\u00e1 ao observar e analisar como as institui\u00e7\u00f5es t\u00eam registrado, percebido e administrado esses casos (Lima &amp; Campos, 2021\u00a0; L. R. C. Oliveira, 2021\u00a0; Ribeiro &amp; V. Oliveira, 2020).<\/p>\n<p class=\"texte\"><span class=\"num\">1<\/span>\u00a0Veja, por exemplo, em\u00a0: Chulov (2020).<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">2 &#8211;\u00a0<\/span>Partindo da segunda quest\u00e3o, nosso objetivo \u00e9 descrever e problematizar como as institui\u00e7\u00f5es judici\u00e1rias no Brasil internalizam e (re)produzem desigualdades. Como j\u00e1 apontou Roberto DaMatta (1979), se os cidad\u00e3os, nas rela\u00e7\u00f5es sociais di\u00e1rias, n\u00e3o se percebem como iguais, o Judici\u00e1rio brasileiro acaba por reproduzir essa mesma percep\u00e7\u00e3o, n\u00e3o os considerando (e tratando) assim. Em outras palavras, a afirma\u00e7\u00e3o de que a sociedade brasileira se estrutura juridicamente de forma hierarquizada, reproduzindo um\u00a0<em>ethos<\/em>\u00a0aristocr\u00e1tico em contraposi\u00e7\u00e3o a uma ordem republicana, permite reconhecer que, no plano jur\u00eddico, a desigualdade se opera em dois n\u00edveis\u00a0: no aspecto normativo \u2013 por meio da elabora\u00e7\u00e3o das leis \u2013 e na administra\u00e7\u00e3o dos conflitos \u2013 no momento da aplica\u00e7\u00e3o das leis, especialmente pelo Judici\u00e1rio (Duarte, Iorio Filho &amp; Baptista, 2021).<\/p>\n<div class=\"textandnotes\">\n<ul class=\"sidenotes\">\n<li><span class=\"num\">2<\/span>\u00a0Veja-se por exemplo o disposto no artigo 5.\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira em vigor (CRFB, 1988), o qu\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn2\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">3 &#8211;\u00a0<\/span>O papel normalizador que os tribunais desempenham nas sociedades liberais burguesas igualit\u00e1rias, no Brasil, de forma peculiar, se caracteriza pelo refor\u00e7o dessa desigualdade, na contram\u00e3o dos ideais republicanos acolhidos formalmente nos textos normativos<a id=\"bodyftn2\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn2\">2<\/a>\u00a0(Amorim, Baptista, Duarte, M. L. T. Lima &amp; R. K. Lima, 2021\u00a0; Duarte, 2006\u00a0; Duarte &amp; Iorio Filho, 2011\u00a0; M. L. T. Lima &amp; R. K. Lima, 2020).<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">4 &#8211;\u00a0<\/span>Nosso problema, ent\u00e3o, pode ser assim desenhado\u00a0: se os ju\u00edzes t\u00eam o dever de tratar as partes com igualdade, como estabelece a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, como \u00e9 poss\u00edvel se ter como resultado pr\u00e1tico, por meio de sua atua\u00e7\u00e3o no processo, a aplica\u00e7\u00e3o da lei de forma particularizada, refor\u00e7ando a desigualdade jur\u00eddica e implicando a sua atualiza\u00e7\u00e3o e o refor\u00e7o dos j\u00e1 conhecidos tra\u00e7os da cultura jur\u00eddica brasileira\u00a0?<\/p>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">5 &#8211;\u00a0<\/span>Os dados coletados em nossas pesquisas, referenciadas ao longo deste texto, sugerem existir categorias impl\u00edcitas ao sistema jur\u00eddico brasileiro, que organizam o pensamento e imp\u00f5em estruturas mentais que informam os processos decis\u00f3rios dos ju\u00edzes. Isso possibilita que os mesmos fa\u00e7am sentido para aqueles socializados neste sistema, isto \u00e9, o do campo do Direito. Ao cabo, essas categorias permitem a atua\u00e7\u00e3o desigual do pr\u00f3prio Poder Judici\u00e1rio, com a manuten\u00e7\u00e3o da (des)igualdade jur\u00eddica \u2013 que segue naturalizada.<\/p>\n<div class=\"textandnotes\">\n<ul class=\"sidenotes\">\n<li><span class=\"num\">3<\/span>\u00a0Essas categorias integram o que Duarte e Iorio Filho (2012, p.\u00a0191) chamam de\u00a0<em>gram\u00e1tica decis\u00f3ria<\/em>.\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn3\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">6 &#8211;\u00a0<\/span>Ao conjunto dessas categorias denominamos\u00a0<em>gram\u00e1tica decis\u00f3ria<\/em><a id=\"bodyftn3\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn3\">3<\/a>. A gram\u00e1tica \u00e9 o conjunto de regras individuais acionadas para determinado uso de uma l\u00edngua, aqui, especificamente, para o uso da linguagem decis\u00f3ria dos ju\u00edzes. Ela \u00e9 o sistema recorrente ao falar, para que os discursos fa\u00e7am sentido para aqueles socializados neste mesmo sistema de significados.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"textandnotes\">\n<ul class=\"sidenotes\">\n<li><span class=\"num\">4<\/span>\u00a0A pr\u00f3pria forma de categoriza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos registros em forma de dados informatizados do Co\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn4\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<li><span class=\"num\">5<\/span>\u00a0O Judici\u00e1rio \u00e9 apresentado como corporativo, pois, ainda hoje, o Brasil mant\u00e9m uma l\u00f3gica colonial\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn5\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">7 &#8211;\u00a0<\/span>E o contexto da pandemia da covid-19 no Brasil \u00e9 um fato superveniente que nos ajuda a explicitar como essas formas judiciais de decidir reproduzem a desigualdade, e como a l\u00f3gica do contradit\u00f3rio orienta a \u00e9tica corporativa judicial (R. K. Lima, 2013), demonstrando que associa\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es judici\u00e1rias adquirem caracter\u00edsticas de corpora\u00e7\u00f5es<a id=\"bodyftn4\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn4\">4<\/a>. Tal fato particulariza a interpreta\u00e7\u00e3o das regras, aplicando-as como se levasse em considera\u00e7\u00e3o o que representa como interesse p\u00fablico, em que a no\u00e7\u00e3o de p\u00fablico est\u00e1 vinculada a uma perspectiva estatal que, travestida de um discurso representativo da soma de interesses individuais, na verdade reflete interesses particulares de corpora\u00e7\u00f5es do Estado<a id=\"bodyftn5\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn5\">5<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"textandnotes\">\n<ul class=\"sidenotes\">\n<li><span class=\"num\">6<\/span>\u00a0Boa parte desses trabalhos emp\u00edricos demonstra como tais pr\u00e1ticas se reproduzem de maneira informal\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn6\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">8 &#8211;\u00a0<\/span>Nos \u00faltimos anos temos nos dedicado a pesquisar as representa\u00e7\u00f5es e as pr\u00e1ticas burocr\u00e1ticas e judici\u00e1rias da (re)produ\u00e7\u00e3o jur\u00eddica da desigualdade no Brasil e em perspectiva comparada (Amorim, 2017\u00a0; Angelo &amp; Oliveira, 2021\u00a0; Baptista, 2013\u00a0; Corr\u00eaa, 2012\u00a0; Duarte &amp; Iorio Filho, 2015\u00a0; Ferreira, 2004\u00a0; Geraldo, 2019\u00a0; M. L. T. Lima, 2017\u00a0; R. K. Lima, 2019a\u00a0; Mendes, 2012\u00a0; Nu\u00f1ez, 2020\u00a0; L. R. C. Oliveira, 2011b)<a id=\"bodyftn6\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn6\">6<\/a>. Esse contraste tem nos mostrado como o direito brasileiro hierarquiza tanto os membros das institui\u00e7\u00f5es judici\u00e1rias quanto nossa popula\u00e7\u00e3o, em termos de atribui\u00e7\u00e3o e de aplica\u00e7\u00e3o de direitos. Na sociedade brasileira, apesar dos preceitos constitucionais republicanos, n\u00e3o existe ainda uma estrutura jur\u00eddica ordin\u00e1ria que assegure um m\u00ednimo de direitos comuns e compartilhados por todos os diferentes cidad\u00e3os. O que h\u00e1 \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o de um conjunto de privil\u00e9gios atribu\u00eddos a certos segmentos da sociedade, que s\u00e3o chamados de \u201cdireitos\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"textandnotes\">\n<ul class=\"sidenotes\">\n<li><span class=\"num\">7<\/span>\u00a0No caso espec\u00edfico da vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19 no Brasil e sua rela\u00e7\u00e3o com a rep\u00fablica \u00e0 brasile\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn7\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<li><span class=\"num\">8<\/span>\u00a0Especificamente sobre o tratamento legal desigual, ver Bruno Rezende Silva (2017), e sobre a quest\u00e3\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn8\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">9 &#8211;\u00a0<\/span>A diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais sociedades ocidentais \u00e9, portanto, que nelas a desigualdade jur\u00eddica \u00e9 vista como um problema (Bisharat, 2018). Tanto assim que, em contraste com o ritual autorit\u00e1rio brasileiro, descrito por DaMatta (1979), em que se enuncia, sem constrangimentos e com aceita\u00e7\u00e3o, a frase \u201cVoc\u00ea sabe com quem est\u00e1 falando\u00a0?\u201d<a id=\"bodyftn7\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn7\">7<\/a>, para refor\u00e7ar a hierarquia e a nossa cr\u00f4nica \u201calergia \u00e0 igualdade\u201d (DaMatta, 2020, p.\u00a09), nos Estados Unidos, o rito igualit\u00e1rio responderia \u201c<em>Who do you think you are<\/em>\u00a0?\u201d e, na Argentina, a rea\u00e7\u00e3o viria irada, ainda que refor\u00e7ando, de certo modo, a hierarquia, e contestaria\u00a0: \u201c\u00bf<em>Y a m\u00ed que mierda me Importa<\/em>\u00a0?\u201d (O\u2019Donnell, 1984). Em tais sociedades, a inexor\u00e1vel desigualdade econ\u00f4mica produzida pelo mercado \u00e9 que gera as desigualdades sociais, e a atua\u00e7\u00e3o do sistema jur\u00eddico pode servir para mitig\u00e1-las, compensando-as com um tratamento igualit\u00e1rio, na elabora\u00e7\u00e3o da lei e na sua aplica\u00e7\u00e3o. J\u00e1 no caso brasileiro, a desigualdade est\u00e1 inscrita no pr\u00f3prio sistema jur\u00eddico, no seu imagin\u00e1rio<a id=\"bodyftn8\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn8\">8<\/a>\u00a0e na sua operacionaliza\u00e7\u00e3o, como parte integrante e indispens\u00e1vel dele, sistematizando juridicamente as desigualdades sociais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas. Tal naturaliza\u00e7\u00e3o da desigualdade jur\u00eddica,\u00a0anterior\u00a0\u00e0 desigualdade econ\u00f4mica, \u00e9 uma barreira ao funcionamento regular e regulado do mercado, al\u00e9m de ser uma express\u00e3o de representa\u00e7\u00f5es culturais de uma sociedade hierarquizada. Constitui-se tamb\u00e9m em refer\u00eancia e suporte para a sua reprodu\u00e7\u00e3o, em que pode florescer um individualismo perverso, que nunca se identifica com o \u201coutro\u201d, mesmo que este seja seu semelhante, no qual, de forma amb\u00edgua, a lei \u00e9 vista, ora como uma \u201cpuni\u00e7\u00e3o\u201d para alguns, ora como fonte para assegurar tratamentos ben\u00e9ficos para outros, mas n\u00e3o como um instrumento que deve efetivamente assegurar os mesmos direitos e deveres para todos, mantendo assim rela\u00e7\u00f5es de complementaridade e n\u00e3o de competi\u00e7\u00e3o social (R. K. Lima, 2019b).<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">10 &#8211;\u00a0<\/span>O atual contexto da pandemia da covid-19 evidencia a reiterada naturaliza\u00e7\u00e3o das desigualdades estruturais de nossa sociedade em seus variados n\u00edveis. Portanto, n\u00e3o \u00e9 incomum vermos not\u00edcias jornal\u00edsticas acerca de casos e de decis\u00f5es judiciais \u2013 seja de ju\u00edzes de primeira inst\u00e2ncia, seja dos tribunais \u2013 que recorrentemente s\u00e3o seletivas tanto na concess\u00e3o de privil\u00e9gios, confundidos com direitos diferenciados e especiais, quanto na distribui\u00e7\u00e3o desigual de deveres e penalidades\u00a0; e que s\u00e3o aparentemente tidas como extraordin\u00e1rias ou como exce\u00e7\u00f5es por essas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es (Amorim, Baptista, Duarte, M. L. T. Lima &amp; R. K. Lima, 2021).<\/p>\n<div class=\"textandnotes\">\n<ul class=\"sidenotes\">\n<li><span class=\"num\">9<\/span>\u00a0No discurso jur\u00eddico brasileiro, e at\u00e9 no senso comum, Judici\u00e1rio e Justi\u00e7a s\u00e3o tidos, inclusive, c\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn9\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">11 &#8211;\u00a0<\/span>Partindo desse debate e da descri\u00e7\u00e3o de alguns casos, analisamos e demonstramos que, apesar de toda a excepcionalidade atual das novas medidas sanit\u00e1rias, restritivas de circula\u00e7\u00e3o de pessoas e de funcionamento das institui\u00e7\u00f5es privadas e p\u00fablicas, inclusive as judici\u00e1rias \u2013 foco das nossas reflex\u00f5es \u2013, estas atingem desigualmente diferentes pessoas. Desta forma, selecionamos alguns eventos que consideramos paradigm\u00e1ticos na explicita\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a brasileira sob medida<a id=\"bodyftn9\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn9\">9<\/a>, ou seja, na medida da sua desigualdade. Isso viabiliza distribui\u00e7\u00f5es da justi\u00e7a a quem merece e em diferentes n\u00edveis, dependendo das partes envolvidas, dando assim a cada um o que lhe cabe, como medida de justi\u00e7a. Nesse cen\u00e1rio, a imprevisibilidade e a inseguran\u00e7a s\u00e3o o pre\u00e7o que pagamos pela manuten\u00e7\u00e3o h\u00edgida dessa desigualdade jur\u00eddica estrutural.<\/p>\n<\/div>\n<h1 class=\"texte\"><a id=\"tocto1n2\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#tocfrom1n2\">2. A aus\u00eancia de direitos civis no Brasil\u00a0: Entre direitos e privil\u00e9gios<\/a><\/h1>\n<div class=\"textandnotes\">\n<ul class=\"sidenotes\">\n<li><span class=\"num\">10<\/span>\u00a0\u201cA parte da natureza varia ao infinito. N\u00e3o h\u00e1, no universo, duas coisas iguais. Muitas se parecem\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn10\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">12 &#8211;\u00a0<\/span>Na aus\u00eancia de direitos civis \u2013 aqui considerados n\u00e3o como um rol abstrato enumerado em textos normativos (pois este rol normativo no Brasil h\u00e1), mas como um m\u00ednimo comum de direitos, distribu\u00eddos igualmente para todos os diferentes cidad\u00e3os \u2013, o Poder Judici\u00e1rio brasileiro especializou-se na distribui\u00e7\u00e3o desigual de direitos, tornando-os privil\u00e9gios e seguindo o brocardo jur\u00eddico de que \u201ca regra da igualdade \u00e9 aquinhoar desigualmente os desiguais na medida em que se desigualam\u201d, como j\u00e1 desenvolvido por Rui Barbosa em sua \u201cOra\u00e7\u00e3o aos Mo\u00e7os\u201d<a id=\"bodyftn10\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn10\">10<\/a>, e assimilado pela doutrina e pela pr\u00e1tica jur\u00eddica.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"textandnotes\">\n<ul class=\"sidenotes\">\n<li><span class=\"num\">11<\/span>\u00a0Lembramos que, para DaMatta, Lanna e Moraes (1998), o indiv\u00edduo \u00e9 o sujeito por excel\u00eancia das leis\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn11\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">13 &#8211;\u00a0<\/span>O seguimento regular do processo judicial e das suas formas processuais n\u00e3o \u00e9 visto pelos operadores desse campo como garantidor de direitos\u00a0; e tampouco assegura uma previsibilidade do resultado do processo, porque a desigualdade de decis\u00f5es corresponde \u00e0 necess\u00e1ria distribui\u00e7\u00e3o desigual de direitos em uma sociedade de desiguais juridicamente. N\u00e3o h\u00e1, assim, um m\u00ednimo de direitos a que todos os diferentes cidad\u00e3os sejam igualmente merecedores, mas grada\u00e7\u00f5es de direitos segundo seu merecimento, que nos remete ao mundo da pessoa (e n\u00e3o do indiv\u00edduo<a id=\"bodyftn11\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn11\">11<\/a>) de Roberto DaMatta (1979) \u2013 que se caracteriza pela dimens\u00e3o da particularidade, da pessoalidade e de distintas posi\u00e7\u00f5es e hierarquias. E \u00e9 em raz\u00e3o desse merecimento aquilatado pelo juiz, pela lente da particulariza\u00e7\u00e3o, que os direitos s\u00e3o distribu\u00eddos, cabendo a cada um o que lhe \u00e9 devido, por ser pessoalmente merecido. Como refer\u00eancia, segundo L. R. C. Oliveira (2011b, p.\u00a042), no Brasil, confere-se tratamento desigual e privilegiado \u00e0s pessoas conforme a sua \u201csubst\u00e2ncia moral\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">14 &#8211;\u00a0<\/span>L. R. C. Oliveira (2010, 2011a) associa a concep\u00e7\u00e3o de igualdade como tratamento uniforme \u00e0 igualdade de direitos e a concep\u00e7\u00e3o de igualdade como tratamento diferenciado \u00e0 justifica\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gios \u2013 e destaca que a singularidade brasileira est\u00e1 na arbitrariedade da defini\u00e7\u00e3o entre os campos de vig\u00eancia dessas duas concep\u00e7\u00f5es de igualdade ou mesmo da indistin\u00e7\u00e3o entre o exerc\u00edcio de direitos e de privil\u00e9gios, constituindo a exist\u00eancia de uma sensibilidade c\u00edvica brasileira muito pr\u00f3pria.<\/p>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">15 &#8211;\u00a0<\/span>Diferentemente da cultura jur\u00eddica dos pa\u00edses anglo-sax\u00f5es, que se apresenta a partir de uma perspectiva igualit\u00e1ria e individualista, no Brasil, a posi\u00e7\u00e3o do direito como mecanismo compensat\u00f3rio da desigualdade social se mostra, em vez de acolhedora e extensiva, como restritiva dos direitos da cidadania brasileira. Marshall (1967, p.\u00a0107), quando demonstra que a concep\u00e7\u00e3o de cidadania \u00e9 constitu\u00edda de direitos civis, pol\u00edticos e sociais, o faz para explicitar justamente que tais direitos surgiram \u2013 nos s\u00e9culos XVIII, XIX e XX \u2013 com o prop\u00f3sito de dar conta da desigualdade (incontrol\u00e1vel) fabricada e produzida pelo mercado capitalista.<\/p>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">16 &#8211;\u00a0<\/span>Justamente, considerando a desigualdade social inevit\u00e1vel em sociedades de mercado, caberia ao Estado, no \u00e2mbito dos direitos de cidadania, promover a igualdade jur\u00eddica desses cidad\u00e3os socialmente \u2013 e inevitavelmente \u2013 desiguais. Nos termos de R. K. Lima (2004, p.\u00a050)\u00a0:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"citation\">(&#8230;) ent\u00e3o, afigura-se claramente a ideia de que esse tipo de direito [constitu\u00eddo pelo elemento civil dos direitos da cidadania] e os tribunais s\u00e3o institu\u00eddos para a prote\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos \u2013 antes s\u00faditos, depois cidad\u00e3os da Rep\u00fablica. H\u00e1 diferen\u00e7as, entretanto, do ponto de vista dos fundamentos da desigualdade, nos dois contextos. Pois, para Marshall, se no Antigo Regime a desigualdade est\u00e1 fundamentada moral e juridicamente no status, afirmando-se jur\u00eddica e politicamente o modelo da pir\u00e2mide de que falaremos mais tarde, a sociedade republicana, em que se garantiu a igualdade jur\u00eddica aos cidad\u00e3os, vai justificar a desigualdade pelas diferen\u00e7as de performance entre os cidad\u00e3os no mercado. Assim, \u00e9 a igualdade jur\u00eddica diante da lei e dos tribunais que vai fornecer a justificativa moral da desigualdade econ\u00f4mica, pol\u00edtica e social na sociedade, cujo modelo jur\u00eddico-pol\u00edtico pode ser representado por um paralelep\u00edpedo\u00a0: a ideia de igualdade diante da lei e dos tribunais permite a desigualdade de classes nas esferas econ\u00f4mica, pol\u00edtica e social, inerente ao mercado (&#8230;).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">17 &#8211;\u00a0<\/span>Esta percep\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria dos direitos de cidadania, expressa por Marshall (1967), impediria, portanto, ao contr\u00e1rio do que se verifica no direito brasileiro, o reconhecimento (e a reverbera\u00e7\u00e3o) da desigualdade existente no mercado como objeto de compensa\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito do sistema de justi\u00e7a, deixando, para a esfera das pol\u00edticas p\u00fablicas governamentais, o espa\u00e7o de atua\u00e7\u00e3o das compensa\u00e7\u00f5es das desigualdades no acesso aos direitos, de forma particularizada.<\/p>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">18 &#8211;\u00a0<\/span>Ou seja, em resumo, o que interessa pontuar \u00e9 que, no caso brasileiro, esse movimento n\u00e3o se realizou no campo jur\u00eddico de maneira an\u00e1loga \u00e0 de outras rep\u00fablicas europeias e americanas. Desse modo, o papel compensat\u00f3rio e tutelar do direito, no lugar de fortalecer os direitos da cidadania, tal como aponta Marshall (1967), os amputa, na medida em que trata os cidad\u00e3os como eternos menores inimput\u00e1veis e incapazes de serem vistos como sujeitos de direitos, carentes de tutela estatal (Carvalho, 2005\u00a0; Faoro, 2008).<\/p>\n<div class=\"textandnotes\">\n<ul class=\"sidenotes\">\n<li><span class=\"num\">12<\/span>\u00a0A pris\u00e3o especial est\u00e1 prevista no artigo 295 do C\u00f3digo de Processo Penal brasileiro. Trata-se de u\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn12\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<li><span class=\"num\">13<\/span>\u00a0O foro privilegiado \u2013 ou foro por prerrogativa de fun\u00e7\u00e3o \u2013 est\u00e1 previsto nos artigos 53 e 102 da Co\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn13\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">19 &#8211;<\/span>Nesse contexto, o sistema de desigualdades jur\u00eddicas expl\u00edcitas, vigente em nossa sociedade \u2013 ilustrado, de um lado, por exemplo, pela pris\u00e3o especial<a id=\"bodyftn12\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn12\">12<\/a>\u00a0e pelo foro privilegiado<a id=\"bodyftn13\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn13\">13<\/a>\u00a0e, de outro, pela prote\u00e7\u00e3o dos fracos e hipossuficientes nos processos judiciais \u2013, j\u00e1 internalizado e incorporado por nossas institui\u00e7\u00f5es, faz com que a nossa tradi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, em vez de desconstruir privil\u00e9gios em busca de tratamentos uniformes aos sujeitos naturalmente diferentes, estenda esses tratamentos particularizados ao m\u00e1ximo de segmentos sociais poss\u00edvel, criando, com isso, em plena rep\u00fablica federativa, uma ambiguidade incompreens\u00edvel, que, por sua vez, gera sucessivos e intermin\u00e1veis mecanismos de desigualdades entre seus cidad\u00e3os. \u00c9 como se funcion\u00e1ssemos, seletivamente, ora como aristocr\u00e1ticos, ora como republicanos. E, na pandemia da covid-19, isso ficou evidenciado de forma bastante pedag\u00f3gica, para que n\u00e3o restasse nenhuma d\u00favida sobre a confus\u00e3o jur\u00eddica entre direitos e privil\u00e9gios que persistimos em manter (L. R. C. Oliveira, 2018).<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">20 &#8211;<\/span>Na dimens\u00e3o em que pensamos a quest\u00e3o da desigualdade jur\u00eddica no Brasil, a partir da pandemia da covid-19, pretendemos explicitar a desigualdade de tratamento a que fazemos refer\u00eancia, atrav\u00e9s da descri\u00e7\u00e3o de alguns casos administrados pelo Judici\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">21 &#8211;\u00a0<\/span>Em geral, s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es que selecionamos para nos permitir antever duas rela\u00e7\u00f5es com a desigualdade jur\u00eddica. De um lado, est\u00e3o as que revelam a compreens\u00e3o corporativa que o Judici\u00e1rio tem de si pr\u00f3prio, na defesa de demanda por direitos particularizados, que lhes asseguram uma prote\u00e7\u00e3o especial, derivada da autoridade emanada deste Poder e que se explicita na situa\u00e7\u00e3o de risco sanit\u00e1rio causado pela pandemia da covid-19. E, de outro, trazemos as pr\u00f3prias decis\u00f5es judiciais, nas quais o tratamento desigual tem sido um vetor na aprecia\u00e7\u00e3o dos pedidos de liberdade de r\u00e9us presos em raz\u00e3o da pandemia da covid-19, que ora s\u00e3o concedidos, ora n\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">22 &#8211;\u00a0<\/span>Assim, essas situa\u00e7\u00f5es est\u00e3o categorizadas em tr\u00eas tipos de casos que envolvem o Judici\u00e1rio no atual contexto\u00a0: casos de aux\u00edlio-sa\u00fade, casos de \u201cfura-fila\u201d da vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19 e casos de tratamento desigual na aprecia\u00e7\u00e3o de pedidos de liberdade de r\u00e9us presos.<\/p>\n<div class=\"textandnotes\">\n<ul class=\"sidenotes\">\n<li><span class=\"num\">14<\/span>\u00a0Lei n. 11.419, de 19 de dezembro de 2006.<\/li>\n<li><span class=\"num\">15<\/span>\u00a0Tribunal de Justi\u00e7a, Minist\u00e9rio P\u00fablico e Defensoria P\u00fablica do RS criam aux\u00edlio-sa\u00fade para servido\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn15\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<li><span class=\"num\">16<\/span>\u00a0Moura &amp; Valfr\u00e9, 2020).<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">23 &#8211;\u00a0<\/span>A primeira categoria de casos decorre da Resolu\u00e7\u00e3o n.\u00ba 04 de 2021<a id=\"bodyftn14\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn14\">14<\/a>, em que o Tribunal de Justi\u00e7a, o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a Defensoria Estadual do Estado do Rio Grande do Sul institu\u00edram um aux\u00edlio financeiro de sa\u00fade suplementar para custear despesas com\u00a0planos m\u00e9dicos de servidores, incluindo os aposentados. O valor m\u00e1ximo para esse aux\u00edlio ser\u00e1 de 10\u00a0% dos sal\u00e1rios, que, no caso dos magistrados, chega a R$\u00a03.500,00, por exemplo<a id=\"bodyftn15\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn15\">15<\/a>. De forma semelhante, o Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Cear\u00e1 implementou a Pol\u00edtica de Aten\u00e7\u00e3o Integral \u00e0 Sa\u00fade de Magistrados e Servidores do Poder Judici\u00e1rio. Benef\u00edcios an\u00e1logos tamb\u00e9m ocorreram em outros estados brasileiros, incluindo o \u201cbo\u0302nus-covid\u201d de ate\u0301 R$\u00a01.000 para promotores e procuradores do Mato Grosso, licen\u00e7a-pr\u00eamio a ju\u00edzes do Para\u0301, aumento salarial de servidores p\u00fablicos e\u00a0<em>home office<\/em>\u00a0ate\u0301 janeiro para funcion\u00e1rios do Supremo Tribunal Federal<a id=\"bodyftn16\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn16\">16<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"textandnotes\">\n<ul class=\"sidenotes\">\n<li><span class=\"num\">17<\/span>\u00a0H\u00e1 o \u201cAux\u00edlio Emergencial 2021\u201d, que \u00e9 um benef\u00edcio financeiro concedido pelo Governo Federal\u00a0para\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn17\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<li><span class=\"num\">18<\/span>\u00a0Ver mais sobre Sujei\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria e cidadania vertical no Brasil em K. R. Lima e M. S. Campos (2021\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn18\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">24 &#8211;\u00a0<\/span>Paradoxalmente, embora a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Brasileira de 1988 institua a sa\u00fade como um direito social, portanto, para todos os cidad\u00e3os, nenhuma pol\u00edtica p\u00fablica estadual ou nacional semelhante \u00e0 \u201cAten\u00e7\u00e3o Integral \u00e0 Sa\u00fade\u201d, espec\u00edfica para o momento da pandemia da covid-19, foi institu\u00edda para custear despesas de sa\u00fade para os demais trabalhadores que s\u00e3o de fora do Judici\u00e1rio e de institui\u00e7\u00f5es correlatas<a id=\"bodyftn17\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn17\">17<\/a>. O que tais pr\u00e1ticas refor\u00e7am \u00e9 que alguns t\u00eam mais direitos civis que outros, inclusive na conjuntura sanit\u00e1ria excepcional atual<a id=\"bodyftn18\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn18\">18<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">25 &#8211;\u00a0<\/span>A segunda categoria de casos, que intitulamos de \u201cfura-fila\u201d da vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19, \u00e9 igualmente exemplar para discutir o que DaMatta e Junqueira (2017) chamam de \u201cmentalidade do preferencial\u201d. O \u201cfura-fila\u201d \u00e9 o cidad\u00e3o que n\u00e3o respeita a ordem de\u00a0uma\u00a0fila\u00a0de\u00a0espera e passa \u00e0\u00a0frente\u00a0dos demais, se apropriando de um lugar privilegiado, e excepcionando a regra da isonomia.<\/p>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">26 &#8211;\u00a0<\/span>A fila, segundo DaMatta e Junqueira (2017), materializa diversos elementos de como o brasileiro, numa sociedade desigual, vive o sistema democr\u00e1tico, e, em sentido contr\u00e1rio, a avers\u00e3o \u00e0s filas e a pr\u00e1tica de \u201cfur\u00e1-las\u201d decorre de nossa cultura avessa \u00e0 igualdade, que se espraia para al\u00e9m das rela\u00e7\u00f5es sociais, se reproduz e ganha escala tamb\u00e9m nas institui\u00e7\u00f5es do Estado.\u00a0<\/p>\n<div class=\"textandnotes\">\n<ul class=\"sidenotes\">\n<li><span class=\"num\">19<\/span>\u00a0\u00cdntegra dos of\u00edcios do STF e da Fiocruz. Retirado de https:\/\/<a href=\"http:\/\/www.migalhas.com.br\/arquivos\/2020\/12\/fb941666a85001_oficio-stf.pdf\">www.migalhas.com.br\/arquivos\/2020\/12\/f\u00a0<\/a><a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn19\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<li><span class=\"num\">20<\/span>\u00a0STF e STJ buscaram obter vacinas da covid-19 para ministros e servidores (2020, dezembro 23).<\/li>\n<li><span class=\"num\">21<\/span>\u00a0Rezende, 2020.<\/li>\n<li><span class=\"num\">22<\/span>\u00a0Rodrigues, 2020. Segalla, 2020. OAB realizar\u00e1 estudos para viabilizar compra de vacinas para advoga\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn22\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">27 &#8211;\u00a0<\/span>Na pandemia da covid-19 n\u00e3o foram raros os casos de \u201cfura-fila\u201d para vacina\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, aqui, destacamos os pedidos feitos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), atrav\u00e9s de of\u00edcios institucionais encaminhados aos institutos Fiocruz e Butantan<a id=\"bodyftn19\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn19\">19<\/a>, buscando prioridade para assegurar a vacina\u00e7\u00e3o de ministros e servidores<a id=\"bodyftn20\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn20\">20<\/a>. Ap\u00f3s a publiciza\u00e7\u00e3o dos pedidos na m\u00eddia e a negativa formal da reserva de doses, o Presidente do STJ se manifestou no sentido de que a inten\u00e7\u00e3o de compra de vacinas vem sendo manifestada por diversos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos que realizam campanhas de imuniza\u00e7\u00e3o entre seus funcion\u00e1rios\u00a0; e que se trataria, portanto, de um \u201cprotocolo comercial\u201d, visando adiantar um pedido para quando houver disponibilidade. J\u00e1 no \u00e2mbito do STF, a pol\u00eamica gerou a exonera\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico que exercia a fun\u00e7\u00e3o de Secret\u00e1rio de Servi\u00e7os Integrados de Sa\u00fade da Suprema Corte. Segundo o Ministro Presidente do STF, o pedido foi feito sem o seu conhecimento. J\u00e1 o m\u00e9dico esclareceu que \u201cnunca realizou ato sem a ci\u00eancia dos seus superiores\u201d<a id=\"bodyftn21\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn21\">21<\/a>. Para al\u00e9m desses of\u00edcios, outros pedidos de prioridade de vacina\u00e7\u00e3o foram feitos ou debatidos no \u00e2mbito do TST (Tribunal Superior do Trabalho), da Ordem dos Advogados do Brasil e do Minist\u00e9rio P\u00fablico<a id=\"bodyftn22\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn22\">22<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"textandnotes\">\n<ul class=\"sidenotes\">\n<li><span class=\"num\">23<\/span>\u00a0As decis\u00f5es referentes aos casos citados podem ser consultadas no site do STJ (https:\/\/scon.stj.jus\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn23\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">28 &#8211;\u00a0<\/span>A terceira categoria de casos que ora discutimos articula tratamento desigual na aprecia\u00e7\u00e3o de pedidos de liberdade de r\u00e9us presos em raz\u00e3o da pandemia da covid-19<a id=\"bodyftn23\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn23\">23<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"textandnotes\">\n<ul class=\"sidenotes\">\n<li><span class=\"num\">24<\/span>\u00a0A recomenda\u00e7\u00e3o pode ser consultada no site do CNJ (https:\/\/atos.cnj.jus.br\/atos\/detalhar\/3246).<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">29<\/span>Esta pandemia, especialmente em raz\u00e3o de seus altos \u00edndices de cont\u00e1gio, potencializou o risco sanit\u00e1rio para aquelas pessoas em estado de priva\u00e7\u00e3o de liberdade, j\u00e1 que os pres\u00eddios no Brasil, assim como em muitas outras partes, n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de assegurar as medidas recomendadas e necess\u00e1rias para evitar a transmiss\u00e3o e contamina\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus. Tanto \u00e9 que o Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), \u00f3rg\u00e3o incumbido pela Constitui\u00e7\u00e3o brasileira de zelar e promover o controle e a transpar\u00eancia administrativa e processual, no Poder Judici\u00e1rio brasileiro, com base nas posi\u00e7\u00f5es p\u00fablicas assumidas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), expediu, em mar\u00e7o de 2020, a Recomenda\u00e7\u00e3o n.\u00ba 62<a id=\"bodyftn24\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn24\">24<\/a>, destinada aos ju\u00edzes e tribunais no sentido da \u201cado\u00e7\u00e3o de medidas preventivas \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o da infec\u00e7\u00e3o pelo novo Coronav\u00edrus (Covid-19) no \u00e2mbito dos sistemas de justi\u00e7a penal e socioeducativo\u201d, inclusive no sentido de reavaliar as pris\u00f5es provis\u00f3rias nesse contexto.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">30 &#8211;\u00a0<\/span>A partir desta recomenda\u00e7\u00e3o, numerosos pedidos de liberdade provis\u00f3ria ou de comuta\u00e7\u00e3o de regime de cumprimento de pena foram formulados perante os ju\u00edzos competentes, no intuito de assegurar ao preso interessado sua sa\u00fade e liberdade, que por algumas vezes foram concedidos e por muitas outras, n\u00e3o, sem que da leitura das pe\u00e7as processuais se possa ao certo identificar os elementos objetivos que levaram \u00e0 decis\u00e3o de soltura e que deveriam ser aplicados em situa\u00e7\u00f5es an\u00e1logas se a igualdade de tratamento para casos semelhantes fosse um vetor interpretativo por si s\u00f3.<\/p>\n<div class=\"textandnotes\">\n<ul class=\"sidenotes\">\n<li><span class=\"num\">25<\/span>\u00a0Bergamo, 2020.<\/li>\n<li><span class=\"num\">26<\/span>\u00a0Sujeito de investiga\u00e7\u00e3o por suspei\u00e7\u00e3o de colaborar com a fam\u00edlia do Presidente Bolsonaro em ativida\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn26\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">31 &#8211;\u00a0<\/span>Um caso bastante rumoroso e que recebeu muita aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia<a id=\"bodyftn25\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn25\">25<\/a>\u00a0foi o de \u201cFabr\u00edcio Queiroz e sua mulher\u201d<a id=\"bodyftn26\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn26\">26<\/a>, no qual o STJ, por decis\u00e3o da Presid\u00eancia, em 2020, deferiu a pris\u00e3o domiciliar para ambos, com base em raz\u00f5es humanit\u00e1rias. Ele, por se encontrar doente, em tratamento contra um c\u00e2ncer, e ela, a despeito de estar foragida, para que pudesse cuidar de seu marido, mostrando-se o tribunal sensibilizado com as condi\u00e7\u00f5es dos pres\u00eddios brasileiros.<\/p>\n<\/div>\n<blockquote>\n<p class=\"citation\">\u00c9 de saben\u00e7a geral que a crise mundial de Covid-19 trouxe triste e diferenciada realidade a ser enfrentada por todos, inclusive pelas autoridades judici\u00e1rias. Nesses tempos extraordin\u00e1rios, \u00e9 preciso aten\u00e7\u00e3o redobrada com a sa\u00fade em nosso pa\u00eds e dessa preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se podem afastar os riscos naturais do sistema penitenci\u00e1rio nacional \u2013 pres\u00eddios cheios, casas de deten\u00e7\u00e3o lotadas, higiene prec\u00e1ria. (Decis\u00e3o do Ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Presidente do STJ, HC N.\u00ba 594360\u2013RJ, 2020)<\/p>\n<\/blockquote>\n<div class=\"textandnotes\">\n<ul class=\"sidenotes\">\n<li><span class=\"num\">27<\/span>\u00a0D\u2019Agostino (2020).<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">32 &#8211;\u00a0<\/span>Inclusive este caso foi recebido pela advocacia como uma sinaliza\u00e7\u00e3o de que o STJ, da\u00ed para adiante, adotaria essa postura tida como humanit\u00e1ria, sendo o mesmo ainda invocado como precedente no tema. Por\u00e9m, n\u00e3o foi assim que se passou e, segundo levantamento feito pelo portal G1<a id=\"bodyftn27\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn27\">27<\/a>, junto ao pr\u00f3prio STJ, dos 725 pedidos similares aos do caso Queiroz, o Presidente do STJ concedeu apenas 18 (2,5\u00a0%) pris\u00f5es domiciliares. De acordo com a jornalista Rosanne D\u2019Agostino (2020, p.\u00a08), \u201cAlguns dos 18 pedidos concedidos por Noronha foram de pris\u00e3o domiciliar a um homem portador de linfoma n\u00e3o Hodgkin abdominal\u00a0; a duas m\u00e3es para cuidar dos filhos menores\u00a0; e a uma advogada idosa e portadora de hipertens\u00e3o aguda grave\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"textandnotes\">\n<ul class=\"sidenotes\">\n<li><span class=\"num\">28<\/span>\u00a0O\u00a0<em>habeas corpus<\/em>\u00a0coletivo \u00e9 um instrumento processual de cria\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria e jurisprudencial que o\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn28\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<li><span class=\"num\">29<\/span>\u00a0Esse grupo de risco, em raz\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, foi definido pela Portaria Interministerial (\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn29\">(&#8230;)<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">33 &#8211;\u00a0<\/span>Um exemplo bastante ilustrativo \u2013 e que aponta para a aus\u00eancia de marcadores objetivos nas decis\u00f5es \u2013 pode ser visto no\u00a0<em>habeas corpus<\/em>\u00a0coletivo<a id=\"bodyftn28\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn28\">28<\/a>\u00a0(STJ HC. 596189-DF, 2020), impetrado por membros do Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos (CADH), e que pedia a pris\u00e3o domiciliar em favor de todas as pessoas presas preventivamente pertencentes ao grupo de risco decorrente da pandemia da covid-19<a id=\"bodyftn29\" class=\"footnotecall\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#ftn29\">29<\/a>\u00a0e que se encontravam no sistema prisional do Distrito Federal. O pedido se fundamentava nas raz\u00f5es humanit\u00e1rias que levaram \u00e0 edi\u00e7\u00e3o da Recomenda\u00e7\u00e3o 62, citando expressamente, em sua inicial, o caso Queiroz como refer\u00eancia interpretativa. O pedido foi indeferido, sendo adotada, entre outros argumentos, a necessidade de pondera\u00e7\u00e3o de direito e a indispensabilidade de uma \u201can\u00e1lise atenta a respeito da situa\u00e7\u00e3o peculiar de cada um\u201d dos presos, a despeito de o relator Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior consignar que n\u00e3o desconhecia \u201cos dados alarmantes relatados na impetra\u00e7\u00e3o, a justificar a ado\u00e7\u00e3o de medidas efetivas e necess\u00e1rias \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e da vida de todas as pessoas que se encontram sob a cust\u00f3dia do Estado\u201d (Reis, 2020, p.\u00a030).<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">34 &#8211;\u00a0<\/span>Outro caso de indeferimento \u00e9 o de tr\u00eas\u00a0<em>habeas corpus<\/em>\u00a0coletivos (STJ HCs. 575.315, 575.314 &amp; 576.036, 2020) impetrados pela Defensoria P\u00fablica de S\u00e3o Paulo, requerendo a liberdade ou o regime domiciliar para presos idosos custodiados em cidades paulistas. Ao indeferir o pedido, citando a decis\u00e3o do Ministro Rogerio Schietti Cruz, no HC 567.408 (2020) acima referenciado, o relator destacou (conforme noticiado pelo pr\u00f3prio STJ) que \u201co entendimento predominante no STJ \u00e9 de que a pandemia deve ser sempre levada em conta na an\u00e1lise de pleitos de liberta\u00e7\u00e3o de presos, mas isso n\u00e3o significa que todos devam ser liberados, pois ainda persiste o direito da coletividade em ver preservada a paz social\u201d (STJ, 2020, p.\u00a06).<\/p>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">35 &#8211;\u00a0<\/span>Gostar\u00edamos tamb\u00e9m de chamar aten\u00e7\u00e3o para o caso do ex-governador do estado do Rio de Janeiro \u2013 S\u00e9rgio Cabral \u2013, preso desde 2016, por acusa\u00e7\u00e3o de crimes de lavagem de dinheiro e corrup\u00e7\u00e3o. Seu\u00a0<em>habeas corpus<\/em>\u00a0(STJ HC. 567.408-RJ, 2020), requerendo pris\u00e3o domiciliar, foi apreciado pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a e indeferido, entendendo a Corte que pris\u00f5es imprescind\u00edveis para a garantia da ordem p\u00fablica e da ordem econ\u00f4mica, da instru\u00e7\u00e3o criminal e da aplica\u00e7\u00e3o da lei penal (todos esses conceitos de ambiguidade sem\u00e2ntica) devem ser mantidas, a despeito da pandemia e recomenda\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ). Segundo o relator da a\u00e7\u00e3o, Ministro Rogerio Schietti Cruz\u00a0:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"citation\">A crise do novo coronav\u00edrus deve ser sempre levada em conta na an\u00e1lise de pleitos de liberta\u00e7\u00e3o de presos, mas, iniludivelmente, n\u00e3o \u00e9 um passe livre para a libera\u00e7\u00e3o de todos, pois ainda persiste o direito da coletividade em ver preservada a paz social, a qual n\u00e3o se desvincula da ideia de que o sistema de justi\u00e7a penal h\u00e1 de ser efetivo, de sorte a n\u00e3o desproteger a coletividade contra os ataques mais graves aos bens juridicamente tutelados na norma penal. (Cruz, 2020, p.\u00a02)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">36 &#8211;\u00a0<\/span>Com esses casos relatados, independentemente dos questionamentos que podem ser feitos em raz\u00e3o da figura do r\u00e9u, o fato \u00e9 que, a despeito de serem portadoras de doen\u00e7as que as colocariam como parte do grupo de risco da covid-19, nem todas as pessoas envolvidas receberam o mesmo benef\u00edcio penal por conta das raz\u00f5es humanit\u00e1rias apontadas pelo CNJ. Situa\u00e7\u00f5es an\u00e1logas com desfechos desiguais.<\/p>\n<h1 class=\"texte\"><a id=\"tocto1n3\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#tocfrom1n3\">3. Considera\u00e7\u00f5es finais\u00a0: O novo \u00e9 a reafirma\u00e7\u00e3o do velho<\/a><\/h1>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">37 &#8211;\u00a0<\/span>Como j\u00e1 registramos em outra oportunidade (Amorim, Baptista, Duarte, M. L. T. Lima &amp; R. K. Lima, 2021), tradi\u00e7\u00e3o e modernidade no Brasil n\u00e3o se sucederam ou se sobrepuseram, como aconteceu em outras sociedades ocidentais, mas convivem em uma conformidade amb\u00edgua. Possu\u00edmos discursos e pra\u0301ticas que fazem, reiteradamente, do novo a reafirmac\u0327a\u0303o do velho, no sentido de travestir pra\u0301ticas tradicionais inquisitoriais e hiera\u0301rquicas no campo do Direito com discursos acusatoriais, igualita\u0301rios, universais e inclusivos (M. L. T. Lima &amp; R. K. Lima, 2020). Como se pode ver, dualidades h\u00e1 muito superadas em outras sociedades ocidentais, tais como honra e dignidade, inquiri\u00e7\u00e3o e inquisitorialidade, desigualdade e diferen\u00e7a, direito e privil\u00e9gio, ainda persistem no Brasil, inclusive no contexto da pandemia da covid-19, evidenciando que s\u00f3 o exame mais acurado das contradi\u00e7\u00f5es, dos dilemas e dos paradoxos verificados entre os discursos normativos e as pr\u00e1ticas judici\u00e1rias permite compreender melhor o campo do Direito brasileiro.<\/p>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">38 &#8211;\u00a0<\/span>No Brasil, e a pandemia \u00e9 exemplar nesse sentido, n\u00e3o fomos treinados no exerc\u00edcio da cidadania plena, no sentido de que n\u00e3o fomos socializados a cumprir igualmente as regras, que s\u00e3o sempre particularizadas. Ainda hoje, h\u00e1 uma l\u00f3gica colonial corporativa, que expressa uma \u00e9tica em que as institui\u00e7\u00f5es judici\u00e1rias aplicam as regras de forma particularizada, atrelando \u00e0 no\u00e7\u00e3o de p\u00fablico uma perspectiva estatal que, travestida de um discurso representativo da soma de interesses individuais, na verdade reflete interesses particulares das pr\u00f3prias corpora\u00e7\u00f5es do Estado.<\/p>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">39 &#8211;\u00a0<\/span>Nesse sentido, o \u201cabrasileiramento da burocracia\u201d no Brasil se deu de forma peculiar, pois, embora tivessem ocorrido enlaces entre a elite jur\u00eddica e a corte, \u00e9 certo que aqui as institui\u00e7\u00f5es judici\u00e1rias atualizaram essas rela\u00e7\u00f5es de forma que mesclaram seu papel p\u00fablico a seus interesses privados, desnorteando essas no\u00e7\u00f5es, entre o p\u00fablico e o privado, e reverberando a preponder\u00e2ncia de uma \u00e9tica particularista que vigora desde as ra\u00edzes do nosso Brasil at\u00e9 hoje (Schwartz, 2011). E os casos que mencionamos aqui, sobre a busca reiterada e naturalizada por privil\u00e9gios na pandemia, s\u00e3o a mais forte explicita\u00e7\u00e3o dessa ordem corporativa, evidenciando especificidades da sociedade brasileira em rela\u00e7\u00e3o a outras sociedades ocidentais.<\/p>\n<p class=\"texte\"><span class=\"paranumber\">40 &#8211;\u00a0<\/span>Somando-se a essa cultura social, as marcas de nossa cultura jur\u00eddica produzem-se em uma estrutura de poder a servi\u00e7o da desigualdade jur\u00eddica e, consequentemente, do tratamento n\u00e3o uniforme, aplicado aos casos concretos e \u00e0s vidas dos cidad\u00e3os desta rep\u00fablica, que cada vez mais se fragiliza, quando um dos seus Poderes se estrutura nessa dimens\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"texte\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"texte\">BIBLIOGRAFIA<\/p>\n<p class=\"texte\">\u00a0<\/p>\n<div id=\"bibliography\" class=\"section\">\n<div class=\"text\">\n<p class=\"bibliographie\">Amorim, M. S. (2017). 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Retirado de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/12\/02\/furando-a-fila-promotores-de-sp-pedem-para-receber-primeiro-a-vacina-da-covid\">https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/12\/02\/furando-a-fila-promotores-de-sp-pedem-para-receber-primeiro-a-vacina-da-covid<\/a>.<\/p>\n<p class=\"bibliographie\">Schwartz, S. (2011).\u00a0<em>Burocracia e sociedade no Brasil colonial\u00a0: O Tribunal Superior da Bahia e seus desembargadores, 1609-1751.<\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo\u00a0: Companhia das Letras.<\/p>\n<p class=\"bibliographie\">Silva, B. (2017).\u00a0<em>A naturaliza\u00e7\u00e3o da desigualdade jur\u00eddica no Brasil a partir da an\u00e1lise de privil\u00e9gios legais\u00a0<\/em>(Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado). Universidade Est\u00e1cio de S\u00e1, Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Direito, Rio de Janeiro.<\/p>\n<p class=\"bibliographie\">Silva, G. (2021). \u201cCaver\u00e3o v\u00edrus, essa mata mais do que a COVID-19\u00a0!\u201d\u00a0: Sistema de justi\u00e7a e seus regimes de desumaniza\u00e7\u00e3o em lugares chamados de Favela. Em Dossi\u00ea\u00a0: Entre normas e pr\u00e1ticas\u00a0: Pesquisa emp\u00edrica no direito em di\u00e1logo com as ci\u00eancias sociais.\u00a0<em>Revista Juris Poiesis<\/em>,\u00a0<em>24<\/em>(34), 726-749.<\/p>\n<p class=\"bibliographie\">STF e STJ buscaram obter vacinas da covid-19 para ministros e servidores. (2020, dezembro 23). Retirado de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.migalhas.com.br\/quentes\/338289\/stf-e-stj-buscaram-obter-vacinas-da-covid-19-para-ministros-e-servidores\">https:\/\/www.migalhas.com.br\/quentes\/338289\/stf-e-stj-buscaram-obter-vacinas-da-covid-19-para-ministros-e-servidores<\/a>.<\/p>\n<p class=\"bibliographie\">Tribunal de Justi\u00e7a, Minist\u00e9rio P\u00fablico e Defensoria P\u00fablica do RS criam aux\u00edlio-sa\u00fade para servidores e magistrados. (2021, mar\u00e7o 10).\u00a0<em>G1<\/em>. Retirado de\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rs\/rio-grande-do-sul\/noticia\/2021\/03\/10\/tribunal-de-justica-ministerio-publico-e-defensoria-publica-do-rs-criam-auxilio-saude-para-servidores.ghtml\">https:\/\/g1.globo.com\/rs\/rio-grande-do-sul\/noticia\/2021\/03\/10\/tribunal-de-justica-ministerio-publico-e-defensoria-publica-do-rs-criam-auxilio-saude-para-servidores.ghtml<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<p><a class=\"go-top\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#article-9952\">Topo da p\u00e1gina<\/a><\/div>\n<div id=\"notes\" class=\"section\">\n<h2 class=\"section\"><span class=\"text\">NOTAS<\/span><\/h2>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn1\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn1\">1<\/a>\u00a0Veja, por exemplo, em\u00a0: Chulov (2020).<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn2\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn2\">2<\/a>\u00a0Veja-se por exemplo o disposto no artigo 5.\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira em vigor (CRFB, 1988), o qual estabelece que \u201cTodos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade (&#8230;).\u201d<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn3\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn3\">3<\/a>\u00a0Essas categorias integram o que Duarte e Iorio Filho (2012, p.\u00a0191) chamam de\u00a0<em>gram\u00e1tica decis\u00f3ria<\/em>. \u201cAssim, uma gram\u00e1tica decis\u00f3ria implica na identifica\u00e7\u00e3o de um sistema de regras l\u00f3gicas que informam os processos mentais de decis\u00e3o\u00a0; f\u00f3rmulas que regulam o pensamento e estruturam as decis\u00f5es\u00a0; isto \u00e9, estruturas que orientam a constru\u00e7\u00e3o do discurso que se materializa nas decis\u00f5es judiciais. Essa gram\u00e1tica estaria internalizada, pois \u00e9 ela que, pela repeti\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o entre os atores do campo jur\u00eddico, habilita o juiz a compreender o sentido dado ao direito para ent\u00e3o decidir. \u00c9 compartilhada entre seus \u2018falantes\u2019 (os ju\u00edzes) que a praticam de forma espont\u00e2nea e a naturalizam pela for\u00e7a da repeti\u00e7\u00e3o. S\u00e3o essas regras que permitem o reconhecimento espont\u00e2neo e o uso das estruturas que regularizam e viabilizam a produ\u00e7\u00e3o do discurso decis\u00f3rio dos ju\u00edzes, a partir da ado\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias argumentativas\/discursivas que resultar\u00e1 na fundamenta\u00e7\u00e3o de suas decis\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn4\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn4\">4<\/a>\u00a0A pr\u00f3pria forma de categoriza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos registros em forma de dados informatizados do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), para fins de constru\u00e7\u00e3o de seus relat\u00f3rios anuais intitulados \u201cRelat\u00f3rio Justi\u00e7a em N\u00fameros\u201d, explicita essa l\u00f3gica corporativa de gest\u00e3o dos processos judiciais. Seus \u00edndices, tais como taxas de congestionamento processual, indicadores de produtividade dos magistrados e indicadores de produtividade dos servidores da \u00e1rea judici\u00e1ria, possuem poucos detalhes de diagn\u00f3stico, avaliando apenas o movimento quantitativo de processos judiciais, o n\u00famero de funcion\u00e1rios e o or\u00e7amento dos f\u00f3runs e tribunais em cada estado, por ano, sem considerar os tipos de demanda, as formas de administra\u00e7\u00e3o dos conflitos, o perfil das partes conflitantes e demais possibilidades de registro de microdados. As metas corporativas quantitativas sobressaem sobre todos os outros aspectos. Nesse sentido, Cicourel (1998) disp\u00f5e que os registros quantitativos das institui\u00e7\u00f5es judiciais podem revelar mais sobre suas pr\u00e1ticas do que sobre os fatos que se pretendia quantificar. Veja mais detalhes em\u00a0: Conselho Nacional de Justi\u00e7a (2018).\u00a0<em>Dados Estat\u00edsticos<\/em>. Bras\u00edlia\u00a0: Autor. Retirado de https:\/\/<a href=\"http:\/\/www.cnj.jus.br\/programas-e-acoes\/priorizacao-do-1o-grau\/dados-estatisticos-priorizacao\/\">www.cnj.jus.br\/programas-e-acoes\/priorizacao-do-1o-grau\/dados-estatisticos-priorizacao\/.<\/a><\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn5\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn5\">5<\/a>\u00a0O Judici\u00e1rio \u00e9 apresentado como corporativo, pois, ainda hoje, o Brasil mant\u00e9m uma l\u00f3gica colonial corporativa, que expressa uma \u00e9tica em que as institui\u00e7\u00f5es judici\u00e1rias aplicam as regras de forma particularizada, atrelando \u00e0 no\u00e7\u00e3o de p\u00fablico uma perspectiva estatal que, travestida de um discurso representativo da soma de interesses individuais, na verdade reflete interesses particulares das pr\u00f3prias corpora\u00e7\u00f5es do Estado. O \u201cabrasileiramento da burocracia\u201d no Brasil se deu de forma peculiar, pois, embora tivessem ocorrido enlaces entre a elite jur\u00eddica e a corte, \u00e9 certo que aqui, as institui\u00e7\u00f5es judici\u00e1rias atualizaram essas rela\u00e7\u00f5es de uma forma que mesclaram seu papel p\u00fablico a seus interesses privados, desnorteando essas no\u00e7\u00f5es, entre o p\u00fablico e o privado, e reverberando a preponder\u00e2ncia de uma \u00e9tica particularista que vigora desde as ra\u00edzes do Brasil at\u00e9 hoje. E os casos que mencionamos aqui, sobre a busca reiterada e naturalizada por privil\u00e9gios na pandemia, s\u00e3o a mais forte explicita\u00e7\u00e3o dessa ordem corporativa. Segundo Schwartz (2011)\u00a0: \u201cO sistema de tribunais reais e eclesi\u00e1sticos era, ao que tudo indica, um mecanismo altamente racionalizado de administra\u00e7\u00e3o judicial, um sistema baseado no conceito de que a obriga\u00e7\u00e3o de fornecer os meios legais para corrigir erros constitu\u00eda a ess\u00eancia da autoridade do rei. Mas o observador se impressiona, especialmente, ante a organiza\u00e7\u00e3o judicial real, com as m\u00faltiplas responsabilidades dos magistrados e sua tend\u00eancia a assumir fun\u00e7\u00f5es extrajudiciais. No processo de centraliza\u00e7\u00e3o, a Coroa portuguesa encontrara, no sistema judici\u00e1rio, uma ferramenta conveniente e eficaz para a amplia\u00e7\u00e3o do poder real, e, no corpo de magistrados profissionais do sistema, a Coroa n\u00e3o apenas encontrou, mas forjou um aliado competente.\u201d Al\u00e9m disso, a atual Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil \u2013 em seu artigo 92, incisos I a VII \u2013 disp\u00f5e que n\u00e3o s\u00f3 os Tribunais, mas tamb\u00e9m os Ju\u00edzes do Trabalho, Ju\u00edzes Eleitorais, Ju\u00edzes Militares e Ju\u00edzes dos Estados e do Distrito Federal s\u00e3o \u00f3rg\u00e3os do Poder Judici\u00e1rio, refor\u00e7ando a ideia de que, enquanto \u00f3rg\u00e3os, os magistrados comp\u00f5em o corpo do Judici\u00e1rio como um poder e n\u00e3o como um servi\u00e7o.<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn6\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn6\">6<\/a>\u00a0Boa parte desses trabalhos emp\u00edricos demonstra como tais pr\u00e1ticas se reproduzem de maneira informal e quase invis\u00edvel, mas compartilhando valores corporativos que orientam pr\u00e1ticas institucionais locais.<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn7\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn7\">7<\/a>\u00a0No caso espec\u00edfico da vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19 no Brasil e sua rela\u00e7\u00e3o com a rep\u00fablica \u00e0 brasileira, explicita DaMatta (2021) em \u201cUma vacina contra privil\u00e9gios\u201d\u00a0: \u201cIniciamos a vacina\u00e7\u00e3o dentro de um campo politizado precisamente pela velha enfermidade de um \u2018voc\u00ea sabe com quem est\u00e1 falando\u00a0?\u2019 \u2014 o famoso \u2018quem \u00e9 que manda\u00a0?\u00a0!\u2019 \u2014 que prolonga a doen\u00e7a e a morte. E assim ser\u00e1 at\u00e9 nos convencermos de que a cura dos privil\u00e9gios chega com a vacina da democracia \u2014 essa forma de organiza\u00e7\u00e3o coletiva simples e fr\u00e1gil que, como os bons rem\u00e9dios, requer uma enorme paci\u00eancia, um exigente bom-caratismo e um persistente bom senso.\u201d Retirado de https:\/\/outline.com\/SK7cFc.<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn8\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn8\">8<\/a>\u00a0Especificamente sobre o tratamento legal desigual, ver Bruno Rezende Silva (2017), e sobre a quest\u00e3o do imagin\u00e1rio jur\u00eddico, conferir Maria Carolina Freitas (2020).<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn9\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn9\">9<\/a>\u00a0No discurso jur\u00eddico brasileiro, e at\u00e9 no senso comum, Judici\u00e1rio e Justi\u00e7a s\u00e3o tidos, inclusive, como sin\u00f4nimos, o que se explicita em certas express\u00f5es nativas, como, por exemplo\u00a0: \u201cir \u00e0 Justi\u00e7a\u201d, \u201cser da Justi\u00e7a\u201d, \u201ctrabalhar na Justi\u00e7a\u201d e \u201creceber Justi\u00e7a\u201d. O Judici\u00e1rio, ao mesmo tempo que \u00e9 um poder, tamb\u00e9m \u00e9 tido como produtor de justi\u00e7a(s).<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn10\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn10\">10<\/a>\u00a0\u201cA parte da natureza varia ao infinito. N\u00e3o h\u00e1, no universo, duas coisas iguais. Muitas se parecem umas \u00e0s outras. Mas todas entre si diversificam. Os ramos de uma s\u00f3 \u00e1rvore, as folhas da mesma planta, os tra\u00e7os da polpa de um dedo humano, as gotas do mesmo fluido, os argueiros do mesmo p\u00f3, as raias do espectro de um s\u00f3 raio solar ou estelar. Tudo assim, desde os astros no c\u00e9u, at\u00e9 os micr\u00f3bios no sangue, desde as nebulosas no espa\u00e7o, at\u00e9 aos alj\u00f4fares do rocio na relva dos prados.\u00a0<em>A regra da igualdade n\u00e3o consiste sen\u00e3o em aquinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam\u00a0<\/em>[grifo nosso]. Nesta desigualdade social, proporcionada \u00e0 desigualdade natural, \u00e9 que se acha a verdadeira lei da igualdade. O mais s\u00e3o desvarios da inveja, do orgulho, ou da loucura. Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e n\u00e3o igualdade real. Os apetites humanos conceberam inverter a norma universal da cria\u00e7\u00e3o, pretendendo, n\u00e3o dar a cada um, na raz\u00e3o do que vale, mas atribuir o mesmo a todos, como se todos se equivalessem\u201d (Barbosa, 1999, p.\u00a026).<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn11\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn11\">11<\/a>\u00a0Lembramos que, para DaMatta, Lanna e Moraes (1998), o indiv\u00edduo \u00e9 o sujeito por excel\u00eancia das leis universais e, assim igualit\u00e1rias, que trazem a moderniza\u00e7\u00e3o ocidental para a sociedade e que tem na rua seu espa\u00e7o de ag\u00eancia, marcado pela impessoalidade. Em entrevista, DaMatta explica\u00a0: \u201cO que representa a rua\u00a0? \u00c9 o mundo do Estado, o mundo da pol\u00edtica, o mundo da consci\u00eancia ocidental burguesa, constitucional, que aparece na Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, na Revolu\u00e7\u00e3o Brit\u00e2nica, no republicanismo americano\u201d (DaMatta, Lanna &amp; Moraes, 1998, p.\u00a0201). J\u00e1 a pessoa, que impera no mundo da casa (espa\u00e7o privilegiado da intimidade e da prote\u00e7\u00e3o), \u00e9 o sujeito das rela\u00e7\u00f5es sociais regidas pela pessoalidade, particulariza\u00e7\u00f5es, subjetividades e moralidades, nas quais cada um \u00e9 distinto do outro e ningu\u00e9m \u00e9 igual a ningu\u00e9m, submetendo a pessoa a distintas dimens\u00f5es hierarquizadas, que se organizam por diversos fatores como afeto, honra, vulnerabilidade, etc.<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn12\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn12\">12<\/a>\u00a0A pris\u00e3o especial est\u00e1 prevista no artigo 295 do C\u00f3digo de Processo Penal brasileiro. Trata-se de um privil\u00e9gio processual que garante o tratamento desigual para cidad\u00e3os brasileiros, em fun\u00e7\u00e3o de cargo, fun\u00e7\u00e3o, emprego, atividade ou grau de forma\u00e7\u00e3o, autorizando-os que fiquem reclusos em cela especial, diferenciada do sistema carcer\u00e1rio comum, at\u00e9 o tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn13\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn13\">13<\/a>\u00a0O foro privilegiado \u2013 ou foro por prerrogativa de fun\u00e7\u00e3o \u2013 est\u00e1 previsto nos artigos 53 e 102 da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica e \u00e9 um mecanismo que retira dos ju\u00edzes singulares de primeira inst\u00e2ncia a compet\u00eancia penal em a\u00e7\u00f5es que envolvem autoridades p\u00fablicas, em raz\u00e3o do cargo ou fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn14\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn14\">14<\/a>\u00a0Lei n. 11.419, de 19 de dezembro de 2006.<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn15\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn15\">15<\/a>\u00a0Tribunal de Justi\u00e7a, Minist\u00e9rio P\u00fablico e Defensoria P\u00fablica do RS criam aux\u00edlio-sa\u00fade para servidores e magistrados (2021, mar\u00e7o 10).<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn16\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn16\">16<\/a>\u00a0Moura &amp; Valfr\u00e9, 2020).<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn17\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn17\">17<\/a>\u00a0H\u00e1 o \u201cAux\u00edlio Emergencial 2021\u201d, que \u00e9 um benef\u00edcio financeiro concedido pelo Governo Federal\u00a0para pessoas que atendam aos requisitos\u00a0: n\u00e3o possuam emprego formal ativo\u00a0; n\u00e3o recebam outros aux\u00edlios federais\u00a0; e tenham renda familiar mensal por pessoa abaixo de meio sal\u00e1rio m\u00ednimo (o que equivale atualmente a R$\u00a0550,00). Se a fam\u00edlia for composta por apenas uma pessoa, o benef\u00edcio \u00e9 de R$\u00a0150,00 por m\u00eas\u00a0; por mais de uma pessoa, o benef\u00edcio \u00e9 de R$\u00a0250,00 por m\u00eas\u00a0; se for chefiada por mulher sem c\u00f4njuge ou companheiro, com pelo menos uma pessoa menor de dezoito anos de idade, receber\u00e1, mensalmente, R$\u00a0375,00. O n\u00famero m\u00e1ximo de aux\u00edlios emergenciais mensais que uma pessoa pode receber s\u00e3o quatro. Apesar disso, n\u00e3o h\u00e1 um aux\u00edlio governamental espec\u00edfico para custas m\u00e9dicas decorrentes da covid-19. Retirado de https:\/\/<a href=\"http:\/\/www.caixa.gov.br\/auxilio\/auxilio2021\/Paginas\/default.aspx.\">www.caixa.gov.br\/auxilio\/auxilio2021\/Paginas\/default.aspx.<\/a><\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn18\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn18\">18<\/a>\u00a0Ver mais sobre Sujei\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria e cidadania vertical no Brasil em K. R. Lima e M. S. Campos (2021).<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn19\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn19\">19<\/a>\u00a0\u00cdntegra dos of\u00edcios do STF e da Fiocruz. Retirado de https:\/\/<a href=\"http:\/\/www.migalhas.com.br\/arquivos\/2020\/12\/fb941666a85001_oficio-stf.pdf\">www.migalhas.com.br\/arquivos\/2020\/12\/fb941666a85001_oficio-stf.pdf<\/a>\u00a0e https:\/\/<a href=\"http:\/\/www.otempo.com.br\/polopoly_fs\/1.2428067.1608730181!\/menu\/standard\/file\/Oficio_Fiocruz.pdf.\">www.otempo.com.br\/polopoly_fs\/1.2428067.1608730181\u00a0!\/menu\/standard\/file\/Oficio_Fiocruz.pdf.<\/a><\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn20\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn20\">20<\/a>\u00a0STF e STJ buscaram obter vacinas da covid-19 para ministros e servidores (2020, dezembro 23).<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn21\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn21\">21<\/a>\u00a0Rezende, 2020.<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn22\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn22\">22<\/a>\u00a0Rodrigues, 2020. Segalla, 2020. OAB realizar\u00e1 estudos para viabilizar compra de vacinas para advogados (2021, abril 13).<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn23\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn23\">23<\/a>\u00a0As decis\u00f5es referentes aos casos citados podem ser consultadas no site do STJ (https:\/\/scon.stj.jus.br\/SCON\/).<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn24\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn24\">24<\/a>\u00a0A recomenda\u00e7\u00e3o pode ser consultada no site do CNJ (https:\/\/atos.cnj.jus.br\/atos\/detalhar\/3246).<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn25\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn25\">25<\/a>\u00a0Bergamo, 2020.<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn26\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn26\">26<\/a>\u00a0Sujeito de investiga\u00e7\u00e3o por suspei\u00e7\u00e3o de colaborar com a fam\u00edlia do Presidente Bolsonaro em atividades il\u00edcitas.<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn27\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn27\">27<\/a>\u00a0D\u2019Agostino (2020).<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn28\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn28\">28<\/a>\u00a0O\u00a0<em>habeas corpus<\/em>\u00a0coletivo \u00e9 um instrumento processual de cria\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria e jurisprudencial que objetiva proteger grupo de pessoas em situa\u00e7\u00f5es similares de viola\u00e7\u00e3o aos seus direitos de ir e vir, em outras palavras, permitindo-se discutir as arbitrariedades das pris\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"footnotes\"><a id=\"ftn29\" class=\"FootnoteSymbol\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#bodyftn29\">29<\/a>\u00a0Esse grupo de risco, em raz\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, foi definido pela Portaria Interministerial (Ministro da Justi\u00e7a e da Seguran\u00e7a P\u00fablica e Ministro da Sa\u00fade) n.\u00ba 07, de 18 de mar\u00e7o de 2020.<\/p>\n<p><a class=\"go-top\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#article-9952\">Topo da p\u00e1gina<\/a><\/div>\n<div id=\"quotation\" class=\"section\">\n<h2 class=\"section\"><span class=\"text\">PARA CITAR ESTE ARTIGO<\/span><\/h2>\n<h3>Refer\u00eancia do documento impresso<\/h3>\n<p><strong>B\u00e1rbara Gomes Lupetti\u00a0<span class=\"familyName\">Baptista<\/span>, Fernanda\u00a0<span class=\"familyName\">Duarte<\/span>, Michel Lobo Toledo\u00a0<span class=\"familyName\">Lima<\/span>, Rafael Mario Iorio\u00a0<span class=\"familyName\">Filho<\/span>\u00a0e Roberto Kant de\u00a0<span class=\"familyName\">Lima<\/span><\/strong>,\u00a0<span dir=\"ltr\">\u00abA justi\u00e7a brasileira sob medida\u00a0: A pandemia no Brasil entre direitos e privil\u00e9gios\u00bb<\/span>,\u00a0<em>Forum Sociol\u00f3gico<\/em>, 39\u00a0|\u00a0-1, 19-30.<\/p>\n<h3>Refer\u00eancia eletr\u00f3nica<\/h3>\n<p><strong>B\u00e1rbara Gomes Lupetti\u00a0<span class=\"familyName\">Baptista<\/span>, Fernanda\u00a0<span class=\"familyName\">Duarte<\/span>, Michel Lobo Toledo\u00a0<span class=\"familyName\">Lima<\/span>, Rafael Mario Iorio\u00a0<span class=\"familyName\">Filho<\/span>\u00a0e Roberto Kant de\u00a0<span class=\"familyName\">Lima<\/span><\/strong>,\u00a0<span dir=\"ltr\">\u00abA justi\u00e7a brasileira sob medida\u00a0: A pandemia no Brasil entre direitos e privil\u00e9gios\u00bb<\/span>,\u00a0<em>Forum Sociol\u00f3gico<\/em>\u00a0[Online], 39\u00a0|\u00a02021, posto online no dia\u00a0<span dir=\"ltr\">23 novembro 2021<\/span>, consultado o\u00a0<span dir=\"ltr\">09 fevereiro 2022<\/span>.\u00a0<span dir=\"ltr\">URL<\/span>: http:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952;\u00a0<span dir=\"ltr\">DOI<\/span>: https:\/\/doi.org\/10.4000\/sociologico.9952<\/p>\n<p><a class=\"go-top\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#article-9952\">Topo da p\u00e1gina<\/a><\/div>\n<div id=\"authors\" class=\"section authors\">\n<h2 class=\"section\"><span class=\"text\">AUTORES<\/span><\/h2>\n<h3><a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9992\">B\u00e1rbara Gomes Lupetti\u00a0<span class=\"familyName\">Baptista<\/span><\/a><\/h3>\n<p class=\"description\">Universidade Federal Fluminense, Faculdade de Direito, Departamento de Ci\u00eancias Judici\u00e1rias DCJ\/UFF &amp; Universidade Veiga de Almeida, Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o Stricto Sensu em Direito &amp; Universidade Federal Fluminense, Instituto de Estudos Comparados em Administra\u00e7\u00e3o Institucional de Conflitos \u2013 INCT-InEAC, Rio de Janeiro, Brasil.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9997\">Fernanda\u00a0<span class=\"familyName\">Duarte<\/span><\/a><\/h3>\n<p class=\"description\">Universidade Federal Fluminense, Faculdade de Direito, Departamento de Ci\u00eancias Judici\u00e1rias \u2013 DCJ\/UFF &amp; Universidade Federal Fluminense, Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o Justi\u00e7a Administrativa \u2013 PPGJA\/UFF &amp; Universidade Est\u00e1cio de S\u00e1, Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Direito &amp; Universidade Federal Fluminense, Instituto de Estudos Comparados em Administra\u00e7\u00e3o Institucional de Conflitos \u2013 INCT-InEAC, Rio de Janeiro, Brasil.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/10002\">Michel Lobo Toledo\u00a0<span class=\"familyName\">Lima<\/span><\/a><\/h3>\n<p class=\"description\">Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro \u2013 FAPERJ &amp; Universidade Federal Fluminense, Instituto de Estudos Comparados em Administra\u00e7\u00e3o Institucional de Conflitos \u2013 INCT-InEAC, Rio de Janeiro, Brasil.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/10007\">Rafael Mario Iorio\u00a0<span class=\"familyName\">Filho<\/span><\/a><\/h3>\n<p class=\"description\">Universidade Federal Fluminense, Faculdade de Direito, Departamento de Ci\u00eancias Judici\u00e1rias &amp; Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro \u2013 FAPERJ &amp; Universidade Veiga de Almeida, Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Direito &amp; Universidade Federal Fluminense, Instituto de Estudos Comparados em Administra\u00e7\u00e3o Institucional de Conflitos \u2013 INCT-InEAC, Rio de Janeiro, Brasil.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/10012\">Roberto Kant de\u00a0<span class=\"familyName\">Lima<\/span><\/a><\/h3>\n<p class=\"description\">Universidade Federal Fluminense, Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia \u2013 PPGA\/UFF &amp; Universidade Federal Fluminense, Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a \u2013 PPGJS\/UFF &amp; Universidade Veiga de Almeida, Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Direito &amp; Universidade Federal Fluminense, Instituto de Estudos Comparados em Administra\u00e7\u00e3o Institucional de Conflitos \u2013 INCT-InEAC &amp; Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico \u2013 CNPq &amp; Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro \u2013 FAPERJ, Rio de Janeiro, Brasil.<\/p>\n<p><a class=\"go-top\" href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952#article-9952\">Topo da p\u00e1gina<\/a><\/div>\n<div id=\"license\" class=\"section\">\n<h2 class=\"section\"><span class=\"text\">DIREITOS DE AUTOR<\/span><\/h2>\n<p class=\"directionltr\">Esta obra est\u00e1 licenciada com uma Licen\u00e7a Creative Commons Atribui\u00e7\u00e3o \u2013 4.0 (CC BY 4.0).<\/p>\n<p class=\"directionltr\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"directionltr\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1760\" src=\"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/JUSTICA_BSB.jpeg\" width=\"201\" height=\"251\" \/><\/p>\n<\/div>\n<p class=\"texte\">\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Disponibilizamos no nosso site o artigo &#8220;A justi\u00e7a brasileira sob medida\u00a0: A pandemia no Brasil entre direitos e privil\u00e9gios&#8220;, escrito por\u00a0B\u00e1rbara Gomes Lupetti\u00a0Baptista, Fernanda\u00a0Duarte, Michel Lobo Toledo\u00a0Lima, Rafael Mario Iorio\u00a0Filho\u00a0e Roberto Kant de\u00a0Lima, todos pesquisadores vinculados ao INCT\/INEAC; e publicado no FORUM SOCIOL\u00d3GICO &#8211;\u00a0 https:\/\/journals.openedition.org\/sociologico\/9952 O artigo est\u00e1 abaixo dispon\u00edvel para leitura, mas pode ter&hellip; <a class=\"more-link\" href=\"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/?p=1761\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">A justi\u00e7a brasileira sob medida : A pandemia no Brasil entre direitos e privil\u00e9gios<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1760,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1761","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized","entry"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1761","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1761"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1761\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1760"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1761"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1761"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1761"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}