{"id":1974,"date":"2022-09-23T13:42:52","date_gmt":"2022-09-23T13:42:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/?p=1974"},"modified":"2022-09-23T13:42:52","modified_gmt":"2022-09-23T13:42:52","slug":"leticia-luna-e-neiva-vieira-lancam-educacao-e-favela","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/?p=1974","title":{"rendered":"Let\u00edcia Luna e Neiva Vieira lan\u00e7am  &#8220;Educa\u00e7\u00e3o e Favela&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Os confrontos armados s\u00e3o um dos problemas que mais afetam o ensino no Rio de Janeiro. Apenas no munic\u00edpio, 1\/3 das mais de 1.500 escolas est\u00e3o localizadas em \u00e1reas consideradas de risco, segundo dados da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro. Relat\u00f3rio divulgado pelo Centro de Estudos de Seguran\u00e7a e Cidadania (CESeC)\u00a0mostra que 1.154 escolas da rede de ensino municipal foram afetadas por tiroteios em 2019. O impacto da viol\u00eancia naquele ano mudou a rotina de 74% das unidades escolares da rede municipal devido a opera\u00e7\u00f5es e tiroteios, deixando 450 mil estudantes sem aula.<\/p>\n<p>Para agravar a situa\u00e7\u00e3o, a pandemia de Covid-19 em 2020 provocou o crescimento da evas\u00e3o escolar. Gestores da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica no Rio de Janeiro estimam que s\u00f3 na capital,\u00a025 mil\u00a0alunos abandonaram as escolas do munic\u00edpio no \u00faltimo bimestre de 2021. Na rede estadual, cerca de\u00a080 mil\u00a0estudantes podem ter desistido dos estudos. A Secretaria Estadual de Educa\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro apurou que\u00a011%\u00a0do total de alunos matriculados tiveram menos de\u00a075%\u00a0de frequ\u00eancia nas atividades presenciais ou a dist\u00e2ncia. A falta de condi\u00e7\u00f5es, como as limita\u00e7\u00f5es impostas pelo confinamento, a incapacidade de acesso a computadores e celulares, ou at\u00e9 mesmo \u00e0 rede de conex\u00e3o com a internet aumentaram o distanciamento dos alunos das escolas.<\/p>\n<p>O livro &#8220;Educa\u00e7\u00e3o e favela: refletindo sobre antigos e novos desafios&#8221; \u00e9 uma colet\u00e2nea de artigos, resultado do &#8220;Semin\u00e1rio Educa\u00e7\u00e3o e Favela&#8221;, que reuniu cerca de 300 pessoas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em setembro 2019, realizado pelo N\u00facleo de Pesquisa Educa\u00e7\u00e3o e Cidade (Nupec\/Edu), em parceria com o N\u00facleo de Estudos sobre Periferias (NEsPE\/FEBF), o Laborat\u00f3rio de Etnografia Metropolitana da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LeMetro\/IFCS-UFRJ) e o Instituto Nacional de Estudos Comparados em Administra\u00e7\u00e3o Institucional de Conflitos da Universidade Federal Fluminense (INCT-InEAC\/UFF).\u00a0<\/p>\n<table class=\" container-imagem\" width=\"256\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"imagem-interna\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.faperj.br\/rp\/imgs\/Capa-livro-Educacao-e-Favela_interna.jpeg\" alt=\"\" width=\"266\" height=\"380\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"legenda\"><em>Capa do livro, que re\u00fane\u00a0colet\u00e2nea de artigos apresentados no semin\u00e1rio hom\u00f4nimo realizado na Uerj<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Assim como o evento que o originou, a obra, lan\u00e7ada pela Consequ\u00eancia Editora, com recursos do\u00a0<em>Programa de Apoio \u00e0 Editora\u00e7\u00e3o<\/em>, da FAPERJ, problematiza algumas quest\u00f5es contempor\u00e2neas relevantes acerca da rela\u00e7\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o e favela, tendo como horizonte as condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, sociais e urbanas da Regi\u00e3o Metropolitana do Rio de Janeiro. Para tanto, re\u00fane dez cap\u00edtulos estruturados em torno de dois eixos tem\u00e1ticos: &#8220;Desigualdades urbanas e desigualdades escolares: o caso das favelas do Rio de Janeiro&#8221; e &#8220;Os impactos da viol\u00eancia armada sobre as escolas p\u00fablicas&#8221;. Entre os autores, pesquisadores de diversas institui\u00e7\u00f5es e distintas forma\u00e7\u00f5es \u2013 como antropologia, sociologia, hist\u00f3ria, pedagogia \u2013, al\u00e9m de professores da rede p\u00fablica de ensino (municipal e estadual), configurando uma grande variedade de abordagens e an\u00e1lises sobre diferentes tem\u00e1ticas e desafios que envolvem o complexo universo da educa\u00e7\u00e3o e as favelas.\u00a0<\/p>\n<p>A antrop\u00f3loga Leticia de Luna Freire, organizadora da obra junto com a tamb\u00e9m antrop\u00f3loga Neiva Vieira da Cunha, conta que entre os cinco primeiros cap\u00edtulos da primeira parte est\u00e3o o artigo de Marcelo Burgos, professor e pesquisador do Departamento de Ci\u00eancias Sociais e coordenador do Curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Sociologia Pol\u00edtica e Cultura da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Seu estudo focaliza os impactos da segrega\u00e7\u00e3o socioespacial sobre o trabalho escolar e o pouco preparo das escolas para lidar com estudantes e fam\u00edlias moradores de favelas. A remo\u00e7\u00e3o de favelas \u00e9 tema de dois outros artigos dessa primeira parte do livro. Anna Cec\u00edlia Costa da Silva, professora de Geografia da rede municipal do Rio de Janeiro e de Duque de Caxias e mestre em educa\u00e7\u00e3o pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o, Cultura e Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPGECC\/FEBF-UERJ) apresenta os resultados da sua pesquisa com alunos de uma escola p\u00fablica de Duque de Caxias que vivenciaram a remo\u00e7\u00e3o da favela vizinha Teixeira Mendes. E a pr\u00f3pria Let\u00edcia de Luna assina outro artigo acerca dos resultados de oficinas realizadas com crian\u00e7as e jovens da favela Metr\u00f4 Mangueira, removida para dar lugar \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do Complexo Esportivo do Maracan\u00e3, por ocasi\u00e3o da Copa do Mundo de 2014.\u00a0<\/p>\n<p>A segunda parte da colet\u00e2nea re\u00fane outros cinco cap\u00edtulos com foco em um tema que, segundo os autores, se torna cada vez mais incontorn\u00e1vel e urgente: os m\u00faltiplos impactos da viol\u00eancia armada sobre as escolas p\u00fablicas. Esse tema \u00e9 o foco do artigo assinado por Edson Diniz, oriundo de uma das favelas que comp\u00f5em o Complexo da Mar\u00e9, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Formado em hist\u00f3ria pela Uerj e doutor em Educa\u00e7\u00e3o Brasileira pela PUC-Rio, Diniz foi professor da rede p\u00fablica e privada durante 20 anos, fundou a Redes de Desenvolvimento da Mar\u00e9 e criou o N\u00facleo de Mem\u00f3ria e Identidade dos Moradores da Mar\u00e9. Em seu artigo, ele fala das rela\u00e7\u00f5es entre escolas p\u00fablicas-fam\u00edlias nos territ\u00f3rios populares e o papel da escola p\u00fablica em territ\u00f3rios vulner\u00e1veis.\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 o estudo do professor adjunto do Departamento de Sociologia do Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Uerj Eduardo Ribeiro aborda o impacto das Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora (UPPs) sobre a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, enquanto os pesquisadores Mario Brum, professor do Departamento de Hist\u00f3ria da Uerj, e Rosana Muniz, pedagoga e professora da rede municipal de ensino do Rio, analisam o impacto de tiroteios frequentes sobre o cotidiano de uma escola p\u00fablica no Complexo do Chapad\u00e3o. A viol\u00eancia como tema do cotidiano de escolas p\u00fablicas e a marginaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 tema do estudo do antrop\u00f3logo Marcos Ver\u00edssimo em uma escola p\u00fablica de S\u00e3o Gon\u00e7alo.\u00a0\u00a0<\/p>\n<table class=\" container-imagem\" width=\"350\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"imagem-interna\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.faperj.br\/rp\/imgs\/Neiva-Leticia_interna.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"267\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"legenda\"><em>Neiva Vieira da Cunha (esq.) e Leticia de Luna Freire autografam o livro que avalia os impactos da segrega\u00e7\u00e3o socioespacial sobre o trabalho escolar\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Os pesquisadores concluem que as diversas quest\u00f5es e abordagens reunidas no livro denotam a impossibilidade de dissocia\u00e7\u00e3o entre favela e educa\u00e7\u00e3o de temas como segrega\u00e7\u00e3o socioespacial, moradia, remo\u00e7\u00e3o, racismo, estigma e seguran\u00e7a p\u00fablica, entre outros. O objetivo da colet\u00e2nea, ressaltam, n\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ar estere\u00f3tipos ou dogmas historicamente constru\u00eddos, mas identificar as resist\u00eancias e reconhecer as potencialidades de atores e grupos sociais que comp\u00f5em este universo e contribuir para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas ancoradas nos princ\u00edpios de justi\u00e7a e igualdade.\u00a0<\/p>\n<p>Para avaliar os efeitos da pandemia sobre a educa\u00e7\u00e3o, Leticia de Luna Freire, como coordenadora do N\u00facleo de Pesquisa Educa\u00e7\u00e3o e Cidade (NUPEC\/EDU-UERJ) e seus colegas Marcelo Burgos (PUC-Rio) e M\u00f4nica Peregrino (UniRio), promoveram em 2020, em plena pandemia, o Ciclo de Debates &#8220;Escola municipal, elei\u00e7\u00f5es e pandemia&#8221;. A suspens\u00e3o das aulas e a dificuldade de muitos alunos em acompanhar o ensino remoto agravou o j\u00e1 fr\u00e1gil v\u00ednculo dos alunos, aumentando a evas\u00e3o escolar. Eles concluem que o impacto da pandemia ser\u00e1 longo, que as mudan\u00e7as impostas pela pandemia em um mundo dominado pelas novas tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o tendem a repercutir em dimens\u00f5es muito fundamentais da vida contempor\u00e2nea, como o aumento do home office. Os pesquisadores tamb\u00e9m est\u00e3o certos de que em meio a esse cen\u00e1rio de muitas d\u00favidas \u00e9 preciso conciliar a defesa da escola como ag\u00eancia fundamental para as sociedades e para as democracias em especial. Para eles, a reabertura das escolas e a retomada das aulas exige todo um esfor\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o de consensos, desde sobre o que \u00e9 efetivamente fundamental da rotina escolar e que precisa ser preservado, mas tamb\u00e9m sobre uma gera\u00e7\u00e3o e, no limite, na sociedade como um todo.<\/p>\n<p>O documento lembra que o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e a universalidade do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica no Brasil s\u00e3o conquistas relativamente recentes, garantidas apenas a partir da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. As conclus\u00f5es dos debates foram organizadas em dois grandes eixos. O primeiro trata da qualidade e intensidade do v\u00ednculo escolar, o segundo interpela a organiza\u00e7\u00e3o institucional do sistema escolar, mais especificamente suas formas de organiza\u00e7\u00e3o a partir da compreens\u00e3o da escola como institui\u00e7\u00e3o social, entre outras. No entanto, os pesquisadores consideram que um dos impactos mais importantes da pandemia sobre a educa\u00e7\u00e3o escolar \u00e9 a oportunidade para que se revisite convic\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas j\u00e1 cristalizadas sobre o trabalho escolar, fazendo com que a quest\u00e3o do v\u00ednculo e da organiza\u00e7\u00e3o institucional sejam indissoci\u00e1veis do debate p\u00fablico.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os confrontos armados s\u00e3o um dos problemas que mais afetam o ensino no Rio de Janeiro. Apenas no munic\u00edpio, 1\/3 das mais de 1.500 escolas est\u00e3o localizadas em \u00e1reas consideradas de risco, segundo dados da Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro. 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