{"id":2063,"date":"2023-03-16T12:36:29","date_gmt":"2023-03-16T12:36:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/?p=2063"},"modified":"2023-03-16T12:36:29","modified_gmt":"2023-03-16T12:36:29","slug":"protocolos-de-papel-mache-no-reino-da-imprevisibilidade-quando-e-que-a-regra-e-clara","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/?p=2063","title":{"rendered":"Protocolos de papel mach\u00e9: no reino da imprevisibilidade quando \u00e9 que &#8220;a regra \u00e9 clara&#8221;?"},"content":{"rendered":"<p>O site do INCT INEAC disponibiliza aqui o artigo\u00a0<strong>Protocolos de papel mach\u00e9: no reino da imprevisibilidade quando \u00e9 que &#8220;a regra \u00e9 clara&#8221;?,\u00a0<\/strong>de autoria dos antrop\u00f3logos Roberto Kant de Lima (UFF e UVA), coordenador do INCT\/INEAC e F\u00e1bio Reis Motta (UFF), tamb\u00e9m pesquisador vinculado ao INEAC. O artigo foi publicado nessa quarta-feira, dia 15\/3\/2023 , no site Brasil 247\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasil247.com\/geral\/protocolos-de-papel-mache-no-reino-da-imprevisibilidade-quando-e-que-a-regra-e-clara\">https:\/\/www.brasil247.com\/geral\/protocolos-de-papel-mache-no-reino-da-imprevisibilidade-quando-e-que-a-regra-e-clara<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2 class=\"article__headline marginBottom30\"><strong>Protocolos de papel mach\u00e9: no reino da imprevisibilidade quando \u00e9 que &#8220;a regra \u00e9 clara&#8221;?<\/strong><\/h2>\n<div class=\"article__lead\">\n<p>Leia artigo dos pesquisadores Fabio Reis Mota e Roberto Kant de Lima, do Ineac .<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Hoje voltaremos ao tema da \u00ab inquisitorialidade \u00bb e da \u00ab cisma \u00bb, abordando a quest\u00e3o a partir de um outro prisma : da repercuss\u00e3o dessas duas dimens\u00f5es, no contexto brasileiro, no complexo manejo de regras est\u00e1veis e consensualizadas para o comportamento em p\u00fablico, nas intera\u00e7\u00f5es entre os indiv\u00edduos, ou entre os indiv\u00edduos e as reparti\u00e7\u00f5es estatais. Ou seja, como formular\u00a0<i>protocolos<\/i>\u00a0seguros e transparentes que despertem a confian\u00e7a &#8211; ou a a responsabiliza\u00e7\u00e3o, quando n\u00e3o cumpridos \u2013 nos interlocutores, sejam eles cidad\u00e3os comuns, sejam servidores p\u00fablicos, quanto \u00e0 identidade e prop\u00f3sito dos seus interlocutores ?<\/p>\n<div class=\"contentAd contentAd--noBackground marginBottom30\">\u00a0<\/div>\n<p>\u00a0De modo a buscar tornar mais cristalinas nossas an\u00e1lises, exploraremos duas situa\u00e7\u00f5es colocadas sob descri\u00e7\u00e3o que resultam da observa\u00e7\u00e3o realizada por n\u00f3s durante etnografias que empreendemos em lugares e momentos diferentes. \u00a0<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o 1:<\/p>\n<div id=\"taboola-mid-article-leia-mais\">\u00a0<\/div>\n<p>\u00a0Era aquela tarde carioca. Digna de uma praia e cervejinha gelada. \u00a0Luz do sol irradiante, sol se pondo iluminando a cidade. Na Delegacia tudo parecia correr tranquilo. Um dia, at\u00e9, at\u00edpico para uma DP da Zona Sul. Dr. Carvalho, Delegado Titular da Delegacia at\u00e9 podia aproveitar da situa\u00e7\u00e3o para jogar paci\u00eancia no seu computador. No entanto, o inesperado lhe bateu \u00e0 porta.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0Era o escriv\u00e3o : \u00ab toc, toc, toc \u00bb.\u00a0<\/p>\n<div class=\"contentAd contentAd--noBackground marginBottom30\">\n<div class=\"marginTop10 adBackground\">\n<ul>\n<li>\u00a0\u00a0\u00ab Entra \u00bb. Exclama Dr. Carvalho.\u00a0<\/li>\n<li>\u00a0\u00a0\u00ab Dr. \u00bb , retruca o escriv\u00e3o, \u00ab tenho uma situa\u00e7\u00e3o aqui que preciso do senhor \u00bb<\/li>\n<li>\u00a0\u00a0\u00ab O que foi ? \u00bb, interroga o Delegado<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0&#8211; \u00ab Ent\u00e3o\u2026 Doutor, h\u00e1 dois policias aqui com um rapaz a\u00ed\u2026 e , bem, a coisa t\u00e1 dif\u00edcil de resolver e tem que ser o senhor \u00bb<\/p>\n<p>\u00a0Interrompendo sua paci\u00eancia, no duplo sentido (do jogo e do sentimento), Dr. Carvalho sentencia :\u00a0<\/p>\n<div class=\"contentAd contentAd--noBackground marginBottom30\">\u00a0<\/div>\n<ul>\n<li>\u00a0\u00a0\u00ab Manda entrar !!!\u00bb<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0O escriv\u00e3o sai e retorna com um dos policiais, Cabo Messias, e o cidad\u00e3o detido, Tobias, cabisbaixo e meio atordoado com o que se passava. Todos os presentes eram negros.<\/p>\n<p>\u00a0Dr. Carvalho prossegue :\u00a0<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0\u00a0\u00ab E ent\u00e3o Cabo Messias, qual o motivo da deten\u00e7\u00e3o do rapaz?\u00bb\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0Cabo Messias, \u00a0com peito estufado e com ar resoluto, crente dos des\u00edgnios de seu of\u00edcio, narra o acontecido :<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0\u00a0\u00ab Pois ent\u00e3o, Doutor\u2026 Est\u00e1vamos eu e o outro colega na viatura fazendo a ronda. Avistamos o cidad\u00e3o na rua e o abordamos. Pedimos seus documentos e nos apresentou uma carteira com um monte de documentos: carteira de identidade, t\u00edtulo de eleitor, carteirinha do cinema, carteira do clube\u2026at\u00e9 carteira de assinante de jornal o cidad\u00e3o trazia com ele Doutor !?! \u00bb<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0O Delegado, confuso quanto \u00e0 situa\u00e7\u00e3o, interpela o Cabo Messias :<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0\u00a0\u00ab Mas afinal, qual foi ent\u00e3o \u00a0o crime ou problema com o rapaz ?\u00bb<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0Com fei\u00e7\u00f5es \u00a0no rosto e no olhar de quem n\u00e3o havia compreendido a incompreens\u00e3o do delegado Carvalho, Cabo Messias, enfaticamente, com voz grossa e segura, peito aberto e mais uma vez estufado, como numa ordem unida, lan\u00e7a \u2026<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0\u00a0\u00ab Ora, Doutor, excesso de documento !!!!\u00bb.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0Nesse primeiro caso, o que se verifica \u00e9 que Tobias, um sujeito correto, cidad\u00e3o trabalhador, negro, resolveu munir-se de documenta\u00e7\u00e3o cuja posse ele imaginou que o livraria de abordagens embara\u00e7osas. \u00c9 preciso frisar, como outros colegas antop\u00f3logos j\u00e1 fizeram, a import\u00e2ncia dos \u00ab documentos \u00bb em nossa sociedade e seu papel na certifica\u00e7\u00e3o e reconhecimento dos direitos de cidadania. J\u00e1 discutimos, em nosso artigo anterior, que convidamos os leitores a consultar<a href=\"https:\/\/www.brasil247.com\/geral\/protocolos-de-papel-mache-no-reino-da-imprevisibilidade-quando-e-que-a-regra-e-clara#sdfootnote1sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><sup>1<\/sup><\/a>, os contextos da \u00ab inquisitorialidade \u00bb e da \u00ab cisma \u00bb que informam nossas intera\u00e7\u00f5es comuns. S\u00e3o princ\u00edpios estruturantes das rela\u00e7\u00f5es tutelares que o estado tem com a sociedade em nosso pa\u00eds e que naturaliza a suspei\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica que se exerce sobre a popula\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que se identifique algum v\u00ednculo que pessoalize as rela\u00e7\u00f5es, nesta transforma\u00e7\u00e3o ritual dos \u00abindiv\u00edduos\u00bb em \u00abpessoas\u00bb.<\/p>\n<p>\u00a0A desconfian\u00e7a sobre a identidade e posi\u00e7\u00e3o social das pessoas \u00e9 um ponto crucial em que se exerce essa rela\u00e7\u00e3o, e que repetidamente solicita que provemos quem somos atrav\u00e9s de documentos, n\u00e3o bastando nossa declara\u00e7\u00e3o, como \u00e9 comum em outros pa\u00edses nos quais realizamos etnografia, como a Fran\u00e7a ou EUA. \u00c9 um dos aspectos mais sens\u00edveis da inquisitorialidade e da cisma, em que a suspei\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica s\u00f3 se dissolve com a confirma\u00e7\u00e3o de nossas declara\u00e7\u00f5es por terceiros, especialmente por documentos escritos e emitidos pelo Estado. Ainda que os in\u00fameros documentos de que dispomos (CPF, Identidade, Carteira de Trabalho, CNH, Passaporte, etc.) sejam reconhecidos e fornecidos pela burocracia estatal, \u00e9 exigido, em diversas circunst\u00e4ncias, sua valida\u00e7\u00e3o \u00a0e autentica\u00e7\u00e3o diante de um Cart\u00f3rio !! Assim, n\u00e3o \u00e9 quem pergunta que tem que provar que a minha declara\u00e7\u00e3o \u00e9 falsa, mas sou eu quem tenho que apoi\u00e1-la em uma \u00ab comprova\u00e7\u00e3o \u00bb para que seja considerada verdadeira. Ironicamente, \u00e9 uma sociedade que se torna extremamente vulner\u00e1vel e prop\u00edcia \u00e0 falsifica\u00e7\u00e3o documental, como \u00e9 o caso das apropria\u00e7\u00f5es de terras pelo processo de \u00ab grilagem \u00bb, muito praticada at\u00e9 hoje no Brasil.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o 2 :<\/p>\n<p>\u00a0A noite era alvissareira. O botequim entre amigos, para\u00edso dos companheiros da boemia. Cerveja gelada, papo confort\u00e1vel e agrad\u00e1vel e otras cositas m\u00e1s\u2026No af\u00e3 da noite, Josias resolve subir o morro e comprar um pino de coca\u00edna para n\u00e3o deixar a noite partir. Seu amigo, Jean, se prontificou a ir com ele para nutrir seu desejo de adrenalina (Jean n\u00e3o consumia p\u00f3, mas curtia a tens\u00e3o de ir no morro) e como forma de garantir a seguran\u00e7a do amigo em um ambiente pouco seguro para estranhos.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0Entraram no carro e seguiram em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 favela. Ela se localizava em um pequeno morro, n\u00e3o muito distante do bar no qual bebiam. Josias estaciona o carro e diz a Jean para esperar, afinal, na sua experi\u00eancia e vis\u00e3o, os traficantes tenderiam a\u00a0<i>cismar<\/i>\u00a0com dois homens na calada da noite carioca subindo a favela. Assim, supostamente, uma s\u00f3 pessoa passaria mais tranquilamente pelo sistema de controle do tr\u00e1fico.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0Josias desce do carro, segue pelas ruas escuras, atravessa a cancela com barras de ferro que comp\u00f5e as barreiras contra as investidas policiais ou dos alem\u00e3es (como os locais denominam os inimigos do comando rival). Como Jean se encontra no carro s\u00f3, Josias anda com passos mais largos e apressados em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00ab boca de fumo \u00bb. Antes dela, h\u00e1 o vigia, encostado por de tr\u00e1s do poste, mas vis\u00edvel para os transeuntes da madrugada. Cioso de sua experi\u00ebncia em situa\u00e7\u00f6es semelhantes, Josias, supondo cumprir uma das etiquetas de rotina, observa o vigia, para diante dele, levanta a camisa e roda em 360 graus, como forma de mostrar que n\u00e3o conduzia uma arma de fogo, ou qualquer outro objeto que colocasse em risco os rapazes do tr\u00e1fico.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0Como Josias supos ter passado no teste, seguiu em dire\u00e7\u00e3o ao local no qual se localizava a boca de fumo. Todavia, o vigia, inusitadamente e de forma r\u00edspida aponta a pistola para ele e diz:<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0\u00a0\u00ab ohh, oh, oh, ohhh, pare a\u00ed caralho\u2026 \u00bb<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0Josias, surpreso, para e se volta para o vigia :<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0\u00a0\u00ab Sim, qual \u00e9? \u00bb<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0O vigia do tr\u00e1fico retruca de forma assertiva:<\/p>\n<p>\u00a0&#8211; \u00ab Porra, porque voc\u00ea tu rodou ? T\u00e1 rodando por que porra ? \u00bb<\/p>\n<p>\u00a0Josias, j\u00e1 um pouco impaciente, responde:<\/p>\n<p>\u00a0&#8211; \u00ab P\u00f4, porque at\u00e9 onde eu sei, se vou entrar numa boca, tenho que rodar para mostrar que n\u00e3o t\u00f4 armado, n\u00e9 isso ? \u00bb<\/p>\n<p>\u00a0O vigia :<\/p>\n<p>\u00a0-\u00ab Porra, mas eu n\u00e3o mandei tu rodar&#8230;que merda \u00e9 essa !!?? \u00bb<\/p>\n<p>\u00a0Ao que, j\u00e1 meio puto da vida, Josias retruca :<\/p>\n<p>\u00a0-\u00ab Porra, se roda t\u00e1 ferrado, se n\u00e3o roda t\u00e1 fodido\u2026Ai, o que fazer pra vir aqui comprar o baguio ?! \u00bb<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0Neste caso, n\u00e3o se trata de uma autoridade oficial, mas de um outro tipo de autoridade. Mas o dilema \u00e9 semelhante: qual o protocolo adequado para evitar mal entendidos e situa\u00e7\u00f5es embara\u00e7osas, ou mesmo de perigosas consequ\u00eancias para os envolvidos ?<\/p>\n<p>\u00a0Trata-se da j\u00e1 discutida e publicamente quest\u00e3o exposta em nossas pesquisas e publica\u00e7\u00f5es: a aus\u00eancia de protocolos nas institui\u00e7\u00f5es e nas dimens\u00f5es da vida ordin\u00e1ria, ou a sua desobedi\u00eancia sistem\u00e1tica pelos encarregados de faz\u00ea-los cumprir, que incidem sobre as formas inquisitoriais e cism\u00e1ticas de opera\u00e7\u00e3o do julgamento da a\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>\u00a0Protocolos derivam n\u00e3o de maneiras ideais de como se comportar, mas espelham regras pr\u00e1ticas de a\u00e7\u00e3o constru\u00eddas em conjunto com seus praticantes. Nas institui\u00e7\u00f5es brasileiras, regimentos e estatutos s\u00e3o frequentemente constru\u00eddos por \u00ab autoridades \u00bb, ou agentes que n\u00e3o v\u00e3o pratic\u00e1-los e que expressam abstratamente sua opini\u00e3o, atrav\u00e9s desses documentos, de como as coisas \u00ab deviam ser \u00bb. \u00a0<\/p>\n<p>\u00a0No caso, tanto a pol\u00edcia como os agentes do tr\u00e1fico n\u00e3o obedeceram a seus pr\u00f3prios protocolos (andar com documento em uma batida policial ou rodar e levantar a camisa diante de um vigia do tr\u00e1fico). Que haja d\u00favidas quanto a seu cumprimento por parte do tr\u00e1fico, j\u00e1 seria mais compreens\u00edvel, dadas as severas condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a que naquele espa\u00e7o devem ser mantidas; mas que a pol\u00edcia tamb\u00e9m n\u00e3o os tenha e, se os tem, n\u00e3o os leve em considera\u00e7\u00e3o, \u00e9 sinal certo que a inquisitorialidade e a cisma est\u00e3o amplamente disseminadas nestas situa\u00e7\u00f5es de identifica\u00e7\u00e3o e julgamento da atitude alheia.<\/p>\n<p>\u00a0 Ambos os acontecimentos tamb\u00e9m descrevem a j\u00e1 referida dificuldade de controlar comportamentos rec\u00edprocos em intera\u00e7\u00f5es entre cidad\u00e3os comuns e personagens dotados de autoridade. Mais que isso, mostram como essa suspei\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e essa inseguran\u00e7a protocolar pode ser origem de conflitos muitas vezes inegoci\u00e1veis, como t\u00eam sido o caso de pessoas presas por errada identifica\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 muitas vezes informalmente realizada pela pol\u00edcia, atrav\u00e9s de imagens da internet, mesmo quando contr\u00e1rias a seus protocolos.<\/p>\n<p>\u00a0Finalmente, protocolos \u00a0transparentes, quando cumpridos, protegem, em princ\u00edpio, tanto os agentes que os aplicam como os cidad\u00e3os que os obedecem, seja qual for sua cor e origem social, pois seu descumprimento implica responsabiliza\u00e7\u00e3o severa de seus transgressores. Sem protocolos de obrigat\u00f3rio cumprimento vigora a interpreta\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria das regras de conv\u00edvio e at\u00e9 mesmo de aplica\u00e7\u00e3o da lei, que podem alimentar preconceitos sociais e racismo, produzindo uma eterna e improdutiva cacofonia comunicativa pr\u00f3pria da inquisitorialidade e cisma presentes nesse reino da imprevisibilidade. Afinal, nesse universo, Arnaldo, para quem a \u00ab regra \u00e9 clara \u00bb ???\u00a0<\/p>\n<p><b>\u00a0Fabio Reis Mota<\/b>\u00a0e\u00a0<b>Roberto Kant de Lima<\/b>, respectivamente pesquisador e coordenador do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia \u2013 Instituto de Estudos Comparados em Administra\u00e7\u00e3o de Conflitos (<a class=\"vglnk\" href=\"http:\/\/www.ineac.uff.br\/\" rel=\"nofollow\">www.ineac.uff.br<\/a>).<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasil247.com\/geral\/protocolos-de-papel-mache-no-reino-da-imprevisibilidade-quando-e-que-a-regra-e-clara#sdfootnote1anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">1<\/a><sup>\u0002<\/sup>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasil247.com\/ideias\/entre-crencas-e-certezas-o-papel-da-inquisitorialidade-e-da-cisma-no-campo-da-comunicacao-contemporanea\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.brasil247.com\/ideias\/entre-crencas-e-certezas-o-papel-da-inquisitorialidade-e-da-cisma-no-campo-da-comunicacao-contemporanea<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2062\" src=\"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/20211108201144_5a5e2832a1d24330ad90652e022b1f28_1.png\" width=\"621\" height=\"298\" srcset=\"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/20211108201144_5a5e2832a1d24330ad90652e022b1f28_1.png 1250w, http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/20211108201144_5a5e2832a1d24330ad90652e022b1f28_1-300x144.png 300w, http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/20211108201144_5a5e2832a1d24330ad90652e022b1f28_1-1024x492.png 1024w, http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/20211108201144_5a5e2832a1d24330ad90652e022b1f28_1-768x369.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 621px) 100vw, 621px\" \/>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O site do INCT INEAC disponibiliza aqui o artigo\u00a0Protocolos de papel mach\u00e9: no reino da imprevisibilidade quando \u00e9 que &#8220;a regra \u00e9 clara&#8221;?,\u00a0de autoria dos antrop\u00f3logos Roberto Kant de Lima (UFF e UVA), coordenador do INCT\/INEAC e F\u00e1bio Reis Motta (UFF), tamb\u00e9m pesquisador vinculado ao INEAC. 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