{"id":2341,"date":"2024-06-05T16:45:35","date_gmt":"2024-06-05T16:45:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/?p=2341"},"modified":"2024-06-05T16:45:35","modified_gmt":"2024-06-05T16:45:35","slug":"escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/?p=2341","title":{"rendered":"ESCOLAS C\u00cdVICO-MILITARES: ONDE ESTUDANTES N\u00c3O T\u00caM VEZ NEM VOZ"},"content":{"rendered":"<h1>ESCOLAS C\u00cdVICO-MILITARES: ONDE ESTUDANTES N\u00c3O T\u00caM VEZ NEM VOZ<\/h1>\n<p>A ESCOLA P\u00daBLICA, GRATUITA, LAICA E UNIVERSAL EST\u00c1 EM DISPUTA AGORA COM OS CONTORNOS SUPOSTAMENTE DISCIPLINADORES APREGOADOS PELO \u201cMODELO C\u00cdVICO-MILITAR\u201d COMO A SOLU\u00c7\u00c3O M\u00c1GICA PARA OS ESTRUTURAIS PROBLEMAS DA EDUCA\u00c7\u00c3O BRASILEIRA<\/p>\n<p>Esse artigo foi publicado originalmente no site\u00a0<a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/\">https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/<\/a><\/p>\n<p>Escrito por: HAYD\u00c9E CARUSO &#8211; Antrop\u00f3loga. Professora do Departamento de Sociologia da UnB. Pesquisadora do Instituto de Estudos Comparados em Administra\u00e7\u00e3o de Conflitos \u2013 INCT-INeAC e do N\u00facleo de Estudos sobre Viol\u00eancia e Seguran\u00e7a \u2013 NEVIS\/UnB. \u00c9 Investigadora Colaboradora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e Associada S\u00eanior do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No \u00faltimo 21 de maio de 2024 assistimos, em rede nacional, a integrantes da Pol\u00edcia Militar do Estado de S\u00e3o Paulo agredindo estudantes secundaristas que protestavam na ALESP contra a aprova\u00e7\u00e3o do projeto de Lei que regulamenta as escolas c\u00edvico-militares no estado<a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Poucos minutos depois da atua\u00e7\u00e3o violenta, com direito a cassetete e g\u00e1s de pimenta lan\u00e7ados sobre adolescentes entre 15 e 17 anos, os deputados estaduais aprovavam o projeto enviado \u00e0 Assembleia Legislativa pelo governador Tarc\u00edsio de Freitas (Republicanos)<a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>O tema das escolas c\u00edvico-militares n\u00e3o \u00e9 novo no Brasil. H\u00e1 pelo menos 20 anos, estados como Goi\u00e1s, Amazonas, Paran\u00e1, Rio de Janeiro, Bahia e Cear\u00e1, entre tantos outros, avan\u00e7am na \u201cmilitariza\u00e7\u00e3o\u201d das escolas p\u00fablicas. Entretanto, na gest\u00e3o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) o debate ganhou repercuss\u00e3o nacional com a cria\u00e7\u00e3o da Secretaria Nacional de Escolas C\u00edvico-Militares, no \u00e2mbito do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, com linhas de financiamento e estrat\u00e9gias de implementa\u00e7\u00e3o em estados e munic\u00edpios que aderissem \u00e0 proposta<a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>Com a chegada de Lula (PT) \u00e0 Presid\u00eancia, em 2023, a secretaria foi extinta e o governo federal publicou o Decreto n\u00ba 11.611\/2023, de 21 de julho de 2023, descontinuando o Programa Nacional de Escolas C\u00edvico-Militares. No entanto, como sabemos, n\u00e3o se desconstr\u00f3i uma ideologia por decreto. A rea\u00e7\u00e3o de muitos governadores<a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>\u00a0foi imediata. Rapidamente, passaram a afirmar que iriam continuar implementando o \u201cmodelo c\u00edvico-militar\u201d a despeito da nova orienta\u00e7\u00e3o do MEC<a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Aqui cabe importante ressalva, visto que as escolas c\u00edvico-militares n\u00e3o est\u00e3o presentes somente em estados liderados por partidos de direita e extrema-direita. Em todo o espectro pol\u00edtico h\u00e1 justificativas para implementa\u00e7\u00e3o de propostas dessa natureza.<\/p>\n<p>Mas o que seriam as escolas c\u00edvico-militares, comumente chamadas de \u201cescolas militarizadas\u201d?<\/p>\n<p>\u00c9 bom come\u00e7ar explicando o que elas n\u00e3o s\u00e3o.\u00a0<em>As escolas c\u00edvico-militares n\u00e3o s\u00e3o os Col\u00e9gios Militares<\/em>, tal como conhecemos. Esses \u00faltimos est\u00e3o vinculados \u00e0s For\u00e7as Armadas ou \u00e0s Pol\u00edcias e Bombeiros Militares. Possuem sistemas pr\u00f3prios de ensino, com a finalidade primeira de atender ao seu p\u00fablico interno (dependentes de militares), depois ao p\u00fablico em geral, mediante processo seletivo. Os Col\u00e9gios Militares possuem regramento pr\u00f3prio, apesar de dialogarem com as legisla\u00e7\u00f5es que normatizam a oferta de educa\u00e7\u00e3o no Brasil. S\u00e3o escolas com financiamento p\u00fablico, uma vez que contam com recursos de suas institui\u00e7\u00f5es estatais fundadoras,\u00a0<strong>mas n\u00e3o s\u00e3o escolas p\u00fablicas \u201cpara todos\u201d.<\/strong>\u00a0Eis um ponto importante para nossa reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica p\u00fablica no Brasil, por sua vez, \u00e9 um direito social destinado a todos e garantido na Constitui\u00e7\u00e3o Federal em um conjunto de artigos (6\u00ba, 205, 206 e 208) que preconizam, entre outros aspectos, a \u201cigualdade de condi\u00e7\u00f5es para o acesso e a perman\u00eancia na escola\u201d, a \u201cliberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber\u201d, assim como garante o \u201cpluralismo de ideias e de concep\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas\u201d. Hoje temos quase 40 milh\u00f5es de estudantes no sistema p\u00fablico brasileiro (INEP, 2022). Os n\u00fameros s\u00e3o gigantescos e correspondem \u00e0 complexidade e aos desafios de um pa\u00eds continental como o Brasil.<\/p>\n<p>\u00c9 essa escola p\u00fablica, gratuita, laica e universal que est\u00e1 em disputa e agora com os contornos supostamente disciplinadores apregoados pelo \u201cmodelo c\u00edvico-militar\u201d como a solu\u00e7\u00e3o m\u00e1gica para os estruturais problemas da educa\u00e7\u00e3o brasileira. Uma solu\u00e7\u00e3o externa ao mundo educacional, constru\u00edda nos gabinetes de governadores e prefeitos, assessorados por atores das Secretarias Estaduais e Municipais de Seguran\u00e7a P\u00fablica sem, todavia, os protagonistas das escolas, isto \u00e9: estudantes, professores e gestores educacionais.<\/p>\n<p>Os estudos (Castro, 2016; Santos, 2019; Caruso &amp; Paz, 2022; Dutra, 2023) apontam que as chamadas escolas \u201cmilitarizadas\u201d re\u00fanem um conjunto diverso de experi\u00eancias de participa\u00e7\u00e3o de profissionais da seguran\u00e7a p\u00fablica e defesa, nomeadamente militares do ex\u00e9rcito, bombeiros militares, policiais militares e mais recentemente outras categorias profissionais, como guardas municipais e policiais rodovi\u00e1rios federais.<\/p>\n<p>Em linhas gerais, a \u201cmilitariza\u00e7\u00e3o das escolas\u201d se concentra na ideia de cindir duas dimens\u00f5es intr\u00ednsecas ao processo educacional:\u00a0<em>o disciplinar e o pedag\u00f3gico.<\/em>\u00a0Os adeptos do modelo defendem que as escolas vivem uma grave crise de autoridade do professor, o que resulta num conjunto de desordens e viol\u00eancias. Os n\u00fameros alarmantes de casos de viol\u00eancias nas escolas, nos \u00faltimos anos, ajudam a refor\u00e7ar tal argumento<a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, tornando-se terreno f\u00e9rtil para difus\u00e3o de uma esp\u00e9cie de p\u00e2nico que alimenta o perigoso discurso da eterna \u201ccrise da educa\u00e7\u00e3o\u201d gerando o seguinte efeito: abdica-se de construir \u2013 no \u00e2mbito das pol\u00edticas educacionais \u2013 os caminhos necess\u00e1rios para o enfrentamento da quest\u00e3o para atribuir \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica o \u201cdever moral\u201d de resolver o \u201cproblema da escola p\u00fablica\u201d brasileira.<\/p>\n<p>Tal perspectiva refor\u00e7a o entendimento de que a solu\u00e7\u00e3o para os problemas da escola s\u00f3 se alcan\u00e7a com a chamada \u201cordem e disciplina\u201d nos moldes militares (Kant de Lima, 2019), em que a moral punitivista \u00e9 t\u00e3o somente a regra e n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para forma\u00e7\u00e3o de atores sociais cr\u00edticos. Nesse sentido, o que se quer s\u00e3o bons cumpridores de ordens inquestion\u00e1veis.<\/p>\n<p>\u00c9 como se no mundo civil n\u00e3o fosse poss\u00edvel experienciar a disciplina como um valor e uma pr\u00e1tica a ser constru\u00edda pelos sujeitos no ato de suas intera\u00e7\u00f5es sociais cotidianas. Assim, a l\u00f3gica bipartida apresentada sugere que os militares (estaduais e distritais, inclusive) seriam os respons\u00e1veis pelo bra\u00e7o disciplinar impondo a ordem e a harmonia no caos escolar, cabendo aos professores apenas cuidar do pedag\u00f3gico. Todavia, qualquer pessoa minimamente experimentada na vida escolar, seja como professor, gestor, pesquisador e, sobretudo, estudante sabe que essas dimens\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o desassociadas.<\/p>\n<p>O ambiente educacional reflete as escolhas did\u00e1tico-pedag\u00f3gicas adotadas que s\u00f3 conseguem ser implementadas no processo de ensino e aprendizagem, a partir da constru\u00e7\u00e3o coletiva dos acordos de conviv\u00eancia que precisam ser cotidianamente reiterados e pactuados.<\/p>\n<p>Afinal, na base da ordem social est\u00e3o os conflitos que nos fazem lembrar diuturnamente que viver em sociedade implica justamente ter que lidar com muitos dissensos, ao mesmo tempo em que conseguimos produzir consensos sociais m\u00ednimos. Essa \u00e9 a beleza e o desafio da vida. Logo, a escola como um microcosmo social n\u00e3o est\u00e1 alheia a isso. Significa dizer que n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel e sustent\u00e1vel socialmente pens\u00e1-la como um corpo est\u00e1tico sem vida e vontade pr\u00f3prias, em que basta submet\u00ea-la a uma ordem externa capaz de colocar no lugar ou tirar dele aqueles corpos indesej\u00e1veis que n\u00e3o se \u201cenquadram\u201d, \u201cn\u00e3o se submetem\u201d ou \u201cn\u00e3o se adaptam\u201d aos padr\u00f5es militares estabelecidos. \u00a0Parafraseando uma express\u00e3o que ficou famosa no filme Tropa de Elite, a escola n\u00e3o \u00e9 um quartel em que o soldado que n\u00e3o se adapta \u201cpede para sair\u201d. A escola p\u00fablica, pelo contr\u00e1rio, deve ser para todos e insistir na perman\u00eancia dos estudantes com seus variados marcadores sociais da diferen\u00e7a \u00e9 t\u00e3o somente o exerc\u00edcio da garantia de direitos de cidadania.<\/p>\n<p>Os estudos em contextos educacionais (Abramoway, 2002; 2006; Charlot, 2006; Pais, 2008) apontam que a qualidade da vida escolar pode ser medida por diferentes aspectos como, por exemplo: o n\u00edvel de acolhimento aos estudantes que se constr\u00f3i, justamente, nas intera\u00e7\u00f5es escolares cotidianas pautadas na valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade; o grau de participa\u00e7\u00e3o de professores e estudantes nos processos decis\u00f3rios da escola; a infraestrutura dispon\u00edvel; a valoriza\u00e7\u00e3o e o incentivo aos professores, a capacidade de exercer escuta ativa das fam\u00edlias e suas demandas; o espa\u00e7o de reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o do protagonismo juvenil, a rela\u00e7\u00e3o que a escola estabelece com seu entorno comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Todavia, essas n\u00e3o s\u00e3o as vari\u00e1veis centrais que est\u00e3o no conjunto de preocupa\u00e7\u00f5es dos projetos de militariza\u00e7\u00e3o das escolas Brasil afora. A t\u00f4nica tem sido implementar em escolas localizadas em territ\u00f3rios perif\u00e9ricos com o argumento de que est\u00e3o em contextos de alta incid\u00eancia criminal e que possuem indicadores educacionais baixos. Essa rela\u00e7\u00e3o causal n\u00e3o necessariamente se sustenta em evid\u00eancias emp\u00edricas, como pudemos demonstrar em estudos feitos no Distrito Federal e que encontram resson\u00e2ncia em outras realidades do pa\u00eds. (Silva\u00a0<em>et al<\/em>, 2022; Caruso &amp; Paz, 2022)<\/p>\n<p>A face mais vis\u00edvel, at\u00e9 ent\u00e3o, dessas experi\u00eancias tem sido aquela que d\u00e1 \u00eanfase a forma\u00e7\u00e3o em\u00a0<em>ordem unida,<\/em>\u00a0assim como a ado\u00e7\u00e3o de puni\u00e7\u00f5es inspiradas em regulamentos disciplinares militares. N\u00e3o temos acesso a relat\u00f3rios institucionais e diagn\u00f3sticos oficiais sobre a implementa\u00e7\u00e3o e o acompanhamento dessa experi\u00eancia, que j\u00e1 pode ser considerada de larga escala, visto que essa tem sido a realidade em mais de 800 escolas que foram militarizadas nos quatro cantos do pa\u00eds, at\u00e9 o momento<a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p>Importa, entretanto, cobrar das autoridades da seguran\u00e7a p\u00fablica transpar\u00eancia e controle sobre a a\u00e7\u00e3o policial em ambiente escolar, visto que reiterados casos de viol\u00eancias f\u00edsicas, ass\u00e9dios moral e sexual s\u00e3o relatados sem que haja clareza, por parte de pais, professores e estudantes a respeito de quais s\u00e3o os canais institucionais dispon\u00edveis para acolher den\u00fancias e reclama\u00e7\u00f5es. Iniciativas como a cria\u00e7\u00e3o do Observat\u00f3rio da Militariza\u00e7\u00e3o por parte da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da C\u00e2mara Legislativa do DF<a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>\u00a0pode ser uma resposta para essa grave lacuna.<\/p>\n<p>Portanto, falar da \u201cmilitariza\u00e7\u00e3o das escolas\u201d no Brasil \u00e9 tratar de uma agenda fundamental para o debate educacional e pol\u00edtico contempor\u00e2neo. Todos n\u00f3s precisamos nos inteirar dos rumos que est\u00e3o sendo adotados e nos questionar sobre como t\u00eam sido implementadas essas experi\u00eancias que atropelam os processos de gest\u00e3o democr\u00e1tica das escolas e lan\u00e7am m\u00e3o do medo para convencer m\u00e3es e pais de que \u00e9 o \u00fanico caminho poss\u00edvel para a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e de qualidade, quando por vezes, os mesmos profissionais n\u00e3o conseguem garantir a melhoria dos \u00edndices de viol\u00eancia e criminalidade no entorno das escolas em que atuam.<a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p>A cena que vimos na ALESP escancara o projeto de securitiza\u00e7\u00e3o da vida estudantil que foi silenciada com golpes de cassetete e spray de pimenta em sua manifesta\u00e7\u00e3o leg\u00edtima no espa\u00e7o apropriado para o debate republicano e democr\u00e1tico sobre os rumos da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse projeto de poder n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para se levar a s\u00e9rio os anseios dos estudantes e professores. Pelo contr\u00e1rio, o que ouvimos foi o desespero de uma das manifestantes que gritava insistentemente para os policiais militares:\u00a0<em>\u201cEles est\u00e3o saindo, eles est\u00e3o saindo\u2026\u201d<\/em>\u00a0numa estrat\u00e9gia em v\u00e3o de se evitar mais uma agress\u00e3o. Nesse caso, \u201celes\u201d s\u00e3o justamente os jovens estudantes das escolas p\u00fablicas que deveriam ser os sujeitos priorit\u00e1rios de qualquer proposta educacional em debate. O que se v\u00ea, contudo, \u00e9 o silenciar reiterado de suas vozes e o alijamento do processo de constru\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o\u00a0<em>para e com<\/em>\u00a0estudantes e professores que d\u00e3o vida e sentido \u00e0 escola.<\/p>\n<h6>Refer\u00eancias<\/h6>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h6>ABRAMOVAY. M; RUA, M.G. Viol\u00eancias nas escolas. Bras\u00edlia, DF: UNESCO\/Coordena\u00e7\u00e3o DST\/AIDS do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade\/Secretaria de Estado dos<\/h6>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h6>Direitos\u00a0\u00a0 Humanos\u00a0\u00a0 do\u00a0\u00a0 Minist\u00e9rio\u00a0\u00a0 da\u00a0\u00a0 Justi\u00e7a\/\u00a0\u00a0 CNPq\/Instituto\u00a0\u00a0 Ayrton Senna\/UNAIDS\/Banco Mundial\/USAID\/Funda\u00e7\u00e3o Ford\/CONSED\/UNDIME, 2002<\/h6>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h6>CASTRO, N. \u201cPedag\u00f3gico\u201d e \u201cDisciplinar\u201d: o militarismo como pr\u00e1tica de governo na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica do Estado de\u00a0 Goi\u00e1s.\u00a0 Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Antropologia Social) \u2013 PPGAS, Universidade de Bras\u00edlia, Bras\u00edlia, 2016.<\/h6>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h6>DUTRA, M. Entre \u201cEscola de Marginais\u201d e \u201cEscola de Campe\u00f5es\u201d: interpreta\u00e7\u00f5es da militariza\u00e7\u00e3o do Centro Educacional 07 de Ceil\u00e2ndia (DF). Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso. Departamento de Sociologia. UnB, 2023.<\/h6>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h6>GARCIA-SILVA, S; LIMA JUNIOR, P; CARUSO, H. A viol\u00eancia urbana e escolar nas periferias de Bras\u00edlia; Educa\u00e7\u00e3o &amp; Sociedade, Campinas, V. 43.<\/h6>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h6>KANT DE LIMA, R. Gest\u00e3o militar das escolas p\u00fablicas brasileiras. O Globo, \u201cBlog\u00a0 Ci\u00eancia\u00a0 e Matem\u00e1tica\u201d, 22 Fev. 2019.<\/h6>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h6>Pais, J. M. (2008). M\u00e1scaras, jovens e \u201cescolas do diabo<strong>\u201c.\u00a0<\/strong><em>Revista Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0Vol.\u00a013,\u00a037, pp.7-21<\/h6>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h6>SANTOS, C; ALVES, M; MOCARZEL, M.; MOEHLECKE, S. Militariza\u00e7\u00e3o das escolas p\u00fablicas no Brasil: um debate necess\u00e1rio. RBPAE, v. 35, n. 3, p. 580-591, Maio\/Ago. 2019<\/h6>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NcIwkmzetM4&amp;list=RDNSNcIwkmzetM4&amp;start_radio=1\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NcIwkmzetM4&amp;list=RDNSNcIwkmzetM4&amp;start_radio=1<\/a>\u00a0acessado em 27\/05\/2024.<\/h6>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/educacao\/2024\/05\/tropa-de-choque-da-pm-entra-em-confronto-com-estudantes-contrarios-a-escolas-civico-militares.shtml\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/educacao\/2024\/05\/tropa-de-choque-da-pm-entra-em-confronto-com-estudantes-contrarios-a-escolas-civico-militares.shtml<\/a>, acessado em 27\/05\/2024<\/h6>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0Para saber mais:\u00a0<a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/component\/tags\/tag\/51651-escolas-civico-militares\">http:\/\/portal.mec.gov.br\/component\/tags\/tag\/51651-escolas-civico-militares<\/a><\/h6>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0https:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/noticia\/2023\/12\/25\/governadores-investem-em-escolas-civico-militares-mesmo-apos-mec-encerrar-programa-federal.ghtml , acessado em 27\/05\/2024<\/h6>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mec\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2023\/julho\/decreto-revoga-programa-nacional-de-escolas-civico-militares\">https:\/\/www.gov.br\/mec\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2023\/julho\/decreto-revoga-programa-nacional-de-escolas-civico-militares<\/a>\u00a0, acessado em 27\/05\/2024<\/h6>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2023-11\/violencia-nas-escolas-tem-aumento-de-50-em-2023\">https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2023-11\/violencia-nas-escolas-tem-aumento-de-50-em-2023#<\/a>\u00a0acessado em 28\/03\/2024.<\/h6>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>\u00a0Dados que est\u00e3o sendo mapeados pela Rede Nacional de Pesquisa sobre Militariza\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o- REPME. Vale conferir os estudos produzidos sobre o tema pela pesquisadora Catarina de Almeida Santos (UnB).<\/h6>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>\u00a0Ver\u00a0<a href=\"https:\/\/fabiofelix.com.br\/comissao-de-direitos-humanos-da-cldf-institui-observatorio-da-militarizacao\/\">https:\/\/fabiofelix.com.br\/comissao-de-direitos-humanos-da-cldf-institui-observatorio-da-militarizacao\/<\/a>\u00a0 acessado em 28\/05\/2024.<\/h6>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a>\u00a0Os estudos realizados no Distrito Federal com base em pesquisas quantitativas e qualitativas ajudam a pensar tal quest\u00e3o. Ver Silva, Lima Jr e Caruso (2022); Caruso &amp; Paz (2022); Dutra (2023)<\/h6>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2340\" src=\"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/6889569648252727.jpg\" width=\"733\" height=\"746\" srcset=\"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/6889569648252727.jpg 1967w, http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/6889569648252727-295x300.jpg 295w, http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/6889569648252727-1007x1024.jpg 1007w, http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/6889569648252727-768x781.jpg 768w, http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/6889569648252727-1510x1536.jpg 1510w, http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/6889569648252727-1568x1595.jpg 1568w\" sizes=\"auto, (max-width: 733px) 100vw, 733px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ESCOLAS C\u00cdVICO-MILITARES: ONDE ESTUDANTES N\u00c3O T\u00caM VEZ NEM VOZ A ESCOLA P\u00daBLICA, GRATUITA, LAICA E UNIVERSAL EST\u00c1 EM DISPUTA AGORA COM OS CONTORNOS SUPOSTAMENTE DISCIPLINADORES APREGOADOS PELO \u201cMODELO C\u00cdVICO-MILITAR\u201d COMO A SOLU\u00c7\u00c3O M\u00c1GICA PARA OS ESTRUTURAIS PROBLEMAS DA EDUCA\u00c7\u00c3O BRASILEIRA Esse artigo foi publicado originalmente no site\u00a0https:\/\/fontesegura.forumseguranca.org.br\/escolas-civico-militares-onde-estudantes-nao-tem-vez-nem-voz\/ Escrito por: HAYD\u00c9E CARUSO &#8211; Antrop\u00f3loga. Professora do&hellip; <a class=\"more-link\" href=\"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/?p=2341\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">ESCOLAS C\u00cdVICO-MILITARES: ONDE ESTUDANTES N\u00c3O T\u00caM VEZ NEM VOZ<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2340,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2341","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized","entry"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2341","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2341"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2341\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2340"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}