{"id":330,"date":"2017-10-07T03:09:31","date_gmt":"2017-10-07T03:09:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/?p=330"},"modified":"2017-10-07T03:09:31","modified_gmt":"2017-10-07T03:09:31","slug":"falar-ouvir-escutar-e-responder","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/?p=330","title":{"rendered":"Falar, ouvir, escutar e responder"},"content":{"rendered":"<p><span id=\"lblSinopse\" class=\"txtDescricao\" style=\"line-height: 20px; text-align: justify; text-align-last: justify;\">O texto que v\u00e3o ler \u00e9 fruto do trabalho de doutorado da autora no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia da Universidade Federal Fluminense. A autora desenvolveu importante etnografia de Conselhos Comunit\u00e1rios de Seguran\u00e7a do Rio de Janeiro, tendo chegado a conclus\u00f5es surpreendentes. Como se sabe, a quest\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o popular na administra\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos sempre foi, em nossa tradi\u00e7\u00e3o luso-brasileira, um problema. Em contraste com as fortes representa\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias dos servi\u00e7os p\u00fablicos anglo-sax\u00f5es, as representa\u00e7\u00f5es e as pr\u00e1ticas p\u00fablicas, em nossa tradi\u00e7\u00e3o, s\u00e3o sempre de um ente estatal, que se sobrep\u00f5e e, mesmo, tutela a sociedade. Assim, os servi\u00e7os p\u00fablicos sempre nos aparecem, na pr\u00e1tica, n\u00e3o como servi\u00e7os para satisfazer as demandas de determinados segmentos sociais, ou mesmo de sua totalidade, em determinados locais, mas como concess\u00f5es de um poder p\u00fablico, verdadeiras benesses a serem conquistadas por aqueles que necessitam deles. Desta forma, sua distribui\u00e7\u00e3o e seu desempenho desiguais na malha urbana, seja em termos de locais, seja em termos de segmentos sociais a serem atendidos, \u00e9 naturalizada. Servi\u00e7os policiais, entre os muitos servi\u00e7os p\u00fablicos demandados, s\u00e3o explicitamente desigualados, seja nas favelas e no asfalto, seja na Zona Sul ou na Zona Oeste da cidade do Rio de janeiro e, ainda mais que isso, n\u00e3o s\u00e3o vistos sempre como meros \u201cservi\u00e7os\u201d, propriamente ditos, mas muitas vezes como poderes a serem exercidos arbitrariamente sobre os segmentos da popula\u00e7\u00e3o. A etnografia, entre outras coisas, demonstrou que havia uma din\u00e2mica pr\u00f3pria a esses encontros, cujo maior relevo era dado \u00e0 circunst\u00e2ncia de colocarem frente \u00e0 frente as \u201cautoridades\u201d e os membros da popula\u00e7\u00e3o que acorriam \u00e0 reuni\u00e3o. Nessas ocasi\u00f5es, demandas de servi\u00e7os eram explicitadas pela popula\u00e7\u00e3o presente e ouvidas pelas autoridades.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto que v\u00e3o ler \u00e9 fruto do trabalho de doutorado da autora no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia da Universidade Federal Fluminense. A autora desenvolveu importante etnografia de Conselhos Comunit\u00e1rios de Seguran\u00e7a do Rio de Janeiro, tendo chegado a conclus\u00f5es surpreendentes. 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