{"id":476,"date":"2018-03-25T19:18:07","date_gmt":"2018-03-25T19:18:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/?p=476"},"modified":"2018-03-25T19:18:07","modified_gmt":"2018-03-25T19:18:07","slug":"sindrome-do-cabrito","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/?p=476","title":{"rendered":"S\u00cdNDROME DO CABRITO"},"content":{"rendered":"<p>O Site do InEAC reproduz aqui o artigo intitulado S\u00cdNDROME DO CABRITO, publicado pelo Jornal do Brasil no domingo, dia 25 de mar\u00e7o de 2018, escrito pela antrop\u00f3loga e cientista pol\u00edtica Jacqueline Muniz, pesquisadora vinculada ao INCT-INEAC\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>S\u00cdNDROME DO CABRITO<\/p>\n<p>Jacqueline Muniz<br \/>DSP\/INEAC- UFF<br \/>Caderno cidade, 25\/03\/2018 \u2013 jornal do Brasil<\/p>\n<p>O Rio de Janeiro experimenta taxas elevadas de vitimiza\u00e7\u00e3o em servi\u00e7o e em folga de policiais militares, desde o final dos anos de 1990, quando realizamos a primeira pesquisa no Brasil sobre este tema. Desde ent\u00e3o observa-se um padr\u00e3o que pouco se alterou: a varia\u00e7\u00e3o das mortes e les\u00f5es de PMs associa-se ao vai e volta da \u201cpol\u00edtica do confronto\u201d. Esta substitui, intencionalmente, o planejamento e a gest\u00e3o de pol\u00edcia, que possibilita superioridade de m\u00e9todos e meios policiais diante do crime armado, pela l\u00f3gica do enfrentamento pessoal e instintivo que pressiona o policial a \u201cfazer qualquer coisa\u201d, mesmo reconhecendo que est\u00e1 em desvantagem t\u00e1tica, e que n\u00e3o possui os requisitos b\u00e1sicos de seguran\u00e7a ocupacional durante sua atua\u00e7\u00e3o. Esta l\u00f3gica perversa da guerra contra o crime, vai transformando o soldado profissional PM, que deve tomar decis\u00f5es de agir ou n\u00e3o agir segundo seus ju\u00edzos estrat\u00e9gico e t\u00e1tico, em um guerreiro amador e solit\u00e1rio, abandonado por sua corpora\u00e7\u00e3o e esquecido por sua sociedade, cuja vida, j\u00e1 despeda\u00e7ada pelos traumas dos combates di\u00e1rios, passa a ter algum valor, paradoxalmente, com a pr\u00f3pria morte. Por isso, muitos policiais, cansados de n\u00e3o ter direitos a condi\u00e7\u00f5es dignas de trabalho, acabam sendo convencidos pelos senhores da guerra, de que morrer numa guerra falsa e est\u00fapida pode deixar a sua fam\u00edlia numa condi\u00e7\u00e3o financeira melhor e liberta-los de ter que fechar for\u00e7osamente os olhos para as negociatas com o crime ao seu lado, de atender a favores ao redor e das d\u00edvidas acumuladas para garantir o sustento familiar. A conviv\u00eancia, a conveni\u00eancia e a coniv\u00eancia de setores governamentais com os governos aut\u00f4nomos criminosos, em especial as mil\u00edcias, tem transformado os policiais em moeda de troca, em mercadoria pol\u00edtica para acerto de contas, negociada nos balc\u00f5es da economia criminosa no Rio de Janeiro. Est\u00e3o transformando os policiais em zumbis do policiamento, mortos-vivos que j\u00e1 ingressam na carreira com a carteira de pol\u00edcia numa m\u00e3o e o atestado de \u00f3bito na outra. E este tem sido o verdadeiro e inaceit\u00e1vel saldo operacional da \u201cs\u00edndrome do cabrito\u201d: mortes!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Site do InEAC reproduz aqui o artigo intitulado S\u00cdNDROME DO CABRITO, publicado pelo Jornal do Brasil no domingo, dia 25 de mar\u00e7o de 2018, escrito pela antrop\u00f3loga e cientista pol\u00edtica Jacqueline Muniz, pesquisadora vinculada ao INCT-INEAC\u00a0 \u00a0 S\u00cdNDROME DO CABRITO Jacqueline MunizDSP\/INEAC- UFFCaderno cidade, 25\/03\/2018 \u2013 jornal do Brasil O Rio de Janeiro experimenta&hellip; <a class=\"more-link\" href=\"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/?p=476\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">S\u00cdNDROME DO CABRITO<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-476","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","entry"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/476","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=476"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/476\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.operacoesweb.uff.br\/migrajoomla\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}